6.8.13

Tudo e nada.


Quantos livros você leu no último ano? Quantas pessoas conheceu no mês que acaba de terminar? Quantas eram realmente interessantes? Que filmes andou assistindo? E as novelas, como estão? O tempo passa e tão depressa que só notamos quando o passado virou saudade. Não há mais tanto espaço para a satisfação, tudo são números e desembocam em estatísticas, ainda mais quando se tornam cifrões. A vida não tem mais espaço para o “quem sabe ser”, ou se é agora ou não importa mais.

É como está em uma roda gigante que trava no exato momento em que estamos no alto, nossos olhos sedentos por alguma vida querem se fechar, sentir o ar e respirar fundo, mas a nossa mente inquieta nota que o parque já está vazio, que é preciso dá um jeito e se livrar da situação com a maior rapidez possível e continuar, mesmo que seja complicado se desvencilhar da situação, ainda que se queira ficar ali por alguma razão e contemplar o momento. Não conseguimos ficar mais sozinhos.

Não há mais silêncio, o carro passa rápido e você não reconhece o motorista e enquanto você pensava na vida, o ônibus passou e você perdeu tempo, perdeu dinheiro, perdeu o emprego. Ainda há sabedoria? Quantas chamadas telefônicas podemos contabilizar em um mês? Quantas realmente quisemos atender? Você já experimentou deixar o telefone tocar? Quanto tempo demora um mês? Por quais becos escuros andará o nosso dom de escutar? Saímos por alguns instantes e todas as pessoas estão gritando suas razões e não há mais nada além de desabafos e desesperos.

Quais as suas preocupações? São suas ou lhe foram dadas? O que desejaria fazer agora se pudesse deixar de ser o que é e optasse pelo “quem sabe ser”? Pra onde iria? Como quem iria? Quem de fato realizou suas supostas escolhas? A vida? Você? A sorte?

Mais cedo ou mais tarde iremos nos abandonar e por algum motivo nos tornamos esse emaranhado de opiniões alheias que não conseguimos digerir, de histórias de outrem que não conseguimos abstrair, fadados eternamente a buscar a exatidão na subjetividade. Será que a vida irá parar e nos esperar em alguma esquina? Ainda que o tempo passe e nos restem memorias suficientes para tentar ser o que outrora queríamos, será que haverá a oportunidade?


Ser, ter, querer, continuar... Ar! Quantas vezes realmente respiramos hoje? Estamos vivendo a segunda-feira e de repente já é segunda-feira novamente. Há vazios enormes nas nossas semanas, nas nossas ruas, nas horas e em nos mesmos. O tempo passou; o futuro também. As minhas palavras já não estão aqui e você quem realmente foi amanhã?

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