26.3.13

Procurar e esperar




Quando eu era criança costumava andar olhando para o chão para regular melhor os meus passos e não tropeçar. Se era uma questão de segurança ou desconfiança, eu não sei dizer ao certo.

Depois que cresci frequentemente me pego caminhando e olhando para o céu, mas não sei bem a espera do quê. A vida, no fim, é um eterno paralelo entre procurar e esperar. Pelo menos pra mim.

Penso por fim, que talvez o problema dos meus "olhos" seja não saber olhar pra frente e por consequência se recusar a olhar pra trás com maestria. Dizem que nunca se está aberto o suficiente para o futuro com o passado atormentando o travesseiro. Mas quando as coisas realmente passam, afinal? Ou elas simplesmente se reconstroem em outras formas nesse ciclo diário e sem sentido?

O longe está perto demais e vice-versa. O espaço temporal passou, o ontem é agora e o amanhã foi anteontem. Não há nada claro o suficiente, nem no chão, nem no céu, nem à frente. Quem sabe o nosso mal seja considerar que somos e podemos tudo, quando na verdade nada somos e pouco sabemos. E o futuro? Quem sabe... 

O vão da esperança costuma colidir tanto com o das expectativas que o futuro não é mais que uma fria ilusão daquilo que queríamos que a vida fosse, quando na verdade, ela já sabe ser sozinha.


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