28.1.13

Outra vez




Me vi obrigada a refletir por alguns instantes em meio a esse tempo escasso no qual a minha vida se enfiou. Tempo-tão-escasso-esse que eu sequer consigo entender como o utilizei quando o dia finalmente acaba. Seriam dias logos e mal aproveitados ou simplesmente mal dormidos? Talvez o meu medo constante seja que essa escassez seja na verdade tempo perdido.

Crise! Ninguém precisaria me avisar que elas não acabariam após os 20, mas deveriam pelo menos terem me alertado o quanto elas podem se potencializar enquanto lutamos desesperadamente pelo sentido de tudo ou do pouco-que-seja. Quem sabe o meu problema seja essa busca infundada, essa insatisfação com o caminho escolhido, com as escolhas tomadas. Aos 23 anos ninguém deveria ter tempo para se arrepender, certo?

Não sei em qual minuto a minha vida se tornou tão obsoleta. Eu insisto, eu persisto, eu corro em direção a tudo e me sinto num imenso deserto onde todos os propósitos foram levados por uma ventania desconcertante destinada sempre a nos mudar a direção. E todo aquele amarelo se reproduz confundido a minha vista... e todo aquele silêncio se instala. Não há fim.

Talvez a minha pressa em entender tudo com rapidez, tenha me deixado cega. Talvez eu tenha me julgado esperta demais para um jogo onde se necessita mais alma que cérebro. E acabei subjugando os danos e os planos.

Há algum tempo eu deixei de esperar o máximo das coisas; isso é desgastante e entristecedor. Todo esse caos reiniciando insistentemente enquanto eu procuro um pouco de lucidez, me asfixia. E quando eu finalmente consigo me desvencilhar e respirar por alguns segundos, o tempo acaba e eu estou sendo levada pelo vento outra vez.

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