7.12.12

2012: o ano que parou os dias


Meus livros continuam inacabados e a quantidade de filmes que eu planejei vê durante esses 365 dias e 6 horas se acumularam significativamente. É como se um ano inteiro nunca tivesse existido. As coisas continuam exatamente onde sempre estiveram e as minhas emoções enfrentaram ciclos desconfortáveis e alternados que vão e voltam de forma deliberada. Se algo fez algum sentido em dado momento, eu não consigo me lembrar. O que é o tempo, afinal?
As minhas memórias enfrentam surtos de esquecimento, como se fossem arranhadas reiteradamente com o único propósito de me levar a loucura...  E o principal continua lá, tudo que merece ser esquecido persiste e vai sendo recobrado minuto a minuto para testar a minha capacidade de me manter sã. Eu peço ajuda, eu grito pelas ruas que já é tempo, mas nada acontece. A minha inquietação nata e sem pretensões muito claras levou a minha voz e as minhas explicações, além de por todos os dias os meus sentidos a prova. Qual a data da hora da semana?
Minha mente se confunde nesse turbilhão de coisas que nunca aconteceram e confronta os vãos lineares do nada. Qual a saída desse cômodo de paredes brancas ao qual me prendi? Todas as portas que se abrem desembocam no mesmo lugar, que povoado pela mesmice que infesta às relações humanas cada vez mais vazias não me satisfaz de nenhuma forma.
Veja bem, tudo está mais denso agora que a minha vista turva dificulta os meus passos. No entanto, a minha maior dúvida ainda é tentar lembrar se em algum momento ela já se fez clara o suficiente...

Um comentário:

Danubya Medeiros. disse...

Sem dúvida, um dos melhores textos seus que já li.
Excelente!!