15.7.12

Conto. Contei. Contarei.


Andando pelo caminho usual, carregando nas costas um fardo de incertezas e de consequências das escolhas erradas que cometeu ao longo da sua vida, Caio avistou ao longe uma espécie de lâmpada coberta por diversas joias e pensou que a sorte finalmente pudesse está sorrido para ele. Poderia vendê-la e mudar de casa, de cidade, de país, quem sabe. Qualquer lugar onde o caos lhe parecesse menor, seria o ideal.
Sua mente era uma bagunça sem fim, e sua vida seguia o mesmo princípio. Pensou mais um segundo sobre as benesses que aquele achado poderia gerar e sorriu de forma despretensiosa. Apesar de sempre buscar o contento ao invés da felicidade, qualquer oportunidade lhe serviria naquele momento de desespero.
Antes de alcançar o objeto, um senhor de barba longa, olhos vazios e de roupas estranhas surgiu a sua frente, empatando o seu caminho. Caio demorou a compreender que se tratava de uma espécie de “gênio da lâmpada”.

- Você tem direito a fazer apenas um pedido. Afirmou o gênio.
 - Mas não seriam 03? Andam fazendo corte de gastos? Provocou o jovem garoto.
 - Aqui é a vida real, meu rapaz! Os 03 desejos só existem em histórias de fantasia. Então, o que vais querer? Dinheiro, fama, beleza?
 - Eu já me considero bonito.
- O relógio está passando, e não há tempo para deboches, é chegada a hora de escolher. Concluiu o ser mágico.

Caio suspirou por um momento e lembrou sobre o quanto desejava ser feliz...

 - Desejo ser ignorante. Respondeu.
 - Quero me contentar com o pouco, não questionar o que me cerca; seguir meus dias sem a necessidade de descobrir novas coisas.

De repente se viu parado em meio ao nada e finalmente notou que falava sozinho, como numa espécie de transe. Olhou para os lados para se certificar que ninguém o vira e sorriu.
E era um riso tão contente que sua vida quase pareceu real.


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