9.2.12

Vivendo em um eterno domingo





Não consigo mais escrever. Não consigo parar por mais de 5 minutos assistindo algo na televisão.  Não consigo começar aquele livro novo, nem tampouco terminar de ler aquelas últimas 10 páginas daquele que poderia ser o livro da minha vida. Não consigo mais me interessar por conversas banais e nem por causas revolucionárias. Não suporto a minha vontade de dormir o dia inteiro, não aturo a minha necessidade de ficar acordada em busca de viver melhor as coisas da vida.

Meu quarto está bagunçado há meses, a minha vida está bagunçada há anos. Meus amores da semana passada foram substituídos pela procura dos amores dessa semana. Minhas verdades me atormentam diariamente, as minhas mentiras a cada segundo. Não consigo decidir se quero continuar no mesmo caminho quieto e contínuo ou se quero percorrer os caminhos tortuosos que insistem em me avisar que existem.

Deixei de lado o riso fácil e sincero e agora nem sei mais reconhecê-los. Cansei de esperar por soluções repentinas e repetidas ou talvez tenha cansado apenas de esperar. Também já não consigo aturar grosseiras, arrogâncias e mudanças de humor, fico muda e mudo. Mas as mudanças já não surtem efeitos duradouros; a minha inteligência já não me serve e a minha burrice não me atrapalha mais. Não me preocupo mais com o que pensam ou se ao menos pensam. O mês passado foi igual a essa semana e  amanhã será o mesmo dia  que ontem foi. 

Desaprendi a viver no mundo lá fora e o mundo aqui dentro já não me cabe mais. 

Um comentário:

Danubya Medeiros. disse...

Sem mais: Eu adorei, cada linha!
Gosto demais vir te ler.
Beijo, Aninha.