23.2.12

A dor e a delícia do nada saber



Talvez eu devesse lamentar por tudo aquilo que deixei passar enquanto estava parada olhando pra que lado o vento partia. A minha soberba e a minha necessidade de está sempre certa e agindo de acordo com aquilo que penso, me fez entrar numa atmosfera diferenciada que agora não sei se vale mais a pena. Não saber encarar o trivial maltrata tanto quanto não saber lidar com o diferencial e a vida me exige meio termos bem no momento em que queria gritar alto o quanto eu penso que a humanidade está imersa em um poço sem fim. Eu, que aprendi a metade do que eu sei com os livros e a outra metade observando erros alheios, não consigo distinguir o que é necessidade e o que é apenas querer. Não consigo sequer dizer se foram certos os caminhos que segui ate aqui, nem tampouco se foram coerentes. Nessa jornada curta e tumultuada pelos meus próprios fantasmas coloridos.

Talvez se eu mergulhasse na imensidão da ignorância sem medo, algo começasse a fazer sentido. Sinto que todas as pontas do meu eixo estão espalhadas olhando horizontes diferentes, dando passos e mais passos de forma independente daquilo que o meu centro delibera, com movimentos tão bruscos e rápidos que sufocam e estraçalham o meu eu, que vez ou outra é obrigado a cair em uma inércia plena para se recompor o mais rápido possível, sem nem mesmo prestar atenção se os pedaços estão postos no lugar de origem.

Talvez se eu tivesse pensado menos sobre o futuro, ele já tivesse começado a acontecer. Quem sabe se eu não tivesse essa urgência de partir...  Ou eu poderia simplesmente aprender a viver o presente de um jeito melhor para ganhar um passado mais consistente. Se bem que um bom passado de nada me serviria, já que escrevo e escrevo.

Sinto que todos os meus desejos estão girando no meu estômago esperando para serem vomitados a qualquer instante, mas todos estão surdos. Minhas ideias e meus ideais estão confusos naquilo que fui e no que sou agora e quanto mais eu desenho saídas, mas os outros ficam cegos e não conseguem me enxergar. Estou presa as minhas vontades, enquanto pulo nesse trampolim sendo obrigada a mergulhar nessa piscina de possibilidades que se formam a minha frente, cheia de metades... me afogando enquanto espero aquilo que me será inteiro chegar.

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