15.12.11

Recomeçar




“Quando a melancolia é de menos, o fim do ano deve desconfiar”. Esse poderia ser facilmente um desses ditados que ajudam a justificar atos, momentos e escolhas, mas é apenas mais uma frase solta. Dezembro é um mês que promete felicidades, coisas novas, benevolência, mas que também traz consigo toda uma descarga de dores de todo um ano e lembranças a serem esquecidas. Um paradoxo que é a sina de todo fim. 

É metade de dezembro e eu ainda não consigo definir em qual dos extremos pretendo ficar. Pode ser muito cedo para escolher um lado, mas é tudo tão rápido que possa ser que fique tarde demais depois. Sobre o meio-termo eu não sei dizer. Não sei lidar com o morno, com o mais ou menos, com o talvez, mesmo que seja essa a freqüência que minha vida escolheu. Não sei fugir do radicalismo, apesar de sempre chafurdar na lama da aceitação. É assim quando se tem pouco mais de duas décadas e nenhuma independência aparente. Quando se tem sonhos e vontades frágeis demais, quando se está presa a vários tentáculos de uma mesma visão. Quando se acha que sabe de tudo, mesmo não sabendo metade do que deveria saber.

Dezembro é frágil e melancólico tal qual a vida insiste em ser.

Um comentário:

Danubya Medeiros. disse...

Vi-me no que você escreveu.
Ótimo texto!!