18.10.11

Vários céus para vários santos.




Quando eu digo dia após dia que gosto menos desses humanos, não estou exagerando, nem muito menos sendo tola ao ponto de não excluir alguns poucos que valem à pena dessa lista. Costumo dizer que não gosto muito de pessoas, primeiro porque são pessoas e segundo porque perdem vários sensos com o envelhecimento das relações que por vezes nem são tão sólidas ao ponto de serem encaradas como ‘velhas’. E por fim, não gosto muito das pessoas porque há muito tempo elas abandonaram a própria humanidade. E por deliberação própria...

Não gosto muito dos humanos pela sua facilidade em falar sobre os erros alheios esquecendo o seu. Ou mesmo pelo empenho em desmerecer outrem em algo que ele é realmente bom, ainda que uma generalidade saiba de suas qualidades, pelo simples fato de não superar que alguém seja melhor em alguma coisa. São esses que mostram indignação por coisas infundadas quando elas não agradam o seu próprio bico. O mundo está mesmo cheio de falso moralismo e de boas condutas maquiadas pelo desprezo e má vontade as quais enchem de vazio qualquer relação. Pessoas comumente confundem simpatia com falta de limites, esquecem os conceitos de incomodo e boa vontade, por exemplo, em função do próprio bem. Ah, como é maravilhoso o nosso próprio umbigo e que se dane o mundo enquanto eu estiver confortável.

Boa parte dessas pessoas não estão preocupadas com os demais e quando dizem que estão, na maioria das vezes não se importam de verdade. São reféns da comodidade e da réplica fácil do “Eu vou bem e você?”, enquanto rezam no seu intimo para que o outro diga que está bem, para que possa correr o mais rápido daquela situação sem ter que entrar em papinhos psicológicos ou méritos de livros de autoajuda. Eu escolho sempre a sinceridade... Todo o mal que se costuma vislumbrar na sinceridade, eu guardo para maldizer o fingimento. Para um lado ou para o outro, as pessoas efusivas sempre serão a pedra no meu salto 17.

Ninguém é tão mau que não preserve os seus de alguma forma, ainda que controvertida aos olhos alheios; nem tão bom que não pense em ser mau. Desconfio mais dos que se dizem puros de coração, principalmente por usarem sua condição para engordar a própria autoestima e ultrapassar todos os limites existentes em função da benevolência. Enquanto da maldade espera-se tudo, na bondade somos obrigados a engolir a seco qualquer coisa, já que alguém criou o estigma de ser horrendo contrariar o “bem”. São esses humanos que querem a sua perna e seu tronco quando tudo que você ofereceu foi um simples braço naquele momento. São esses que atropelam fases de relacionamentos de acordo com a sua própria necessidade. Como costumo dizer: na minha folga só cabe a minha mesma embaixo do meu próprio nariz.

Não há benevolência no mundo que suporte a falta de limites dentro das relações humanas, nem tolerância. Sim, eu sei que já que somos humanos, somos naturalmente abusados. E que ultrapassamos mesmo essas linhas todas. Posso enumerar todas essas desculpas num rol exaustivo, se preciso. Mas é justamente por sermos dessa raça que também cansamos... naturalmente e frequentemente. Se simpatia é quase amor, antipatia é um ódio quase mortal.

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