1.10.11

Ela tinha alzheimer, ele tinha amor


“Nada mais faz sentido”. Pensou. 

Havia passado toda a madrugada vagando por entre os cômodos do pequeno apartamento pensando num jeito simples de se salvar, mas não havia. Sentou na varanda esperando que a vida amanhecesse sóbria e simples tal qual o dia, mesmo sabendo que a vida e a simplicidade são tão antônimas como o cheio e o vazio. Lembrou de uma musica antiga que falava sobre isso, ensaiou um canto, mas sua voz falhou dando margem a pensamentos que iam e vinham como se observassem o mar: “se queres viver, tens que encarar todos os altos e baixos, tristezas e alegrias e toda a infinidade de sim e de não que somos obrigados a dizer imediatamente a uma situação, como se escolher fosse fácil como identificar as linhas tortas de um desenho infantil”.

Quando se deu conta já era dia, mas o sol não havia aparecido e a primavera custava a chegar. Se sentiu infeliz pelo que era e pelo que não conseguiu ser. Por todos os lugares que quis e não pode ver. Por todos os relacionamentos perdidos pela inconstância do amor.

De todos os traumas que carregava, o amor havia sido o mais cruel e agora se tornara o mais doloroso. Tinha mágoas que tentava curar há mais de ano e que dia após dia o atormentavam como um castigo de um deus grego a um humano desobediente. O amor tornara sua vida vazia. Ele poderia se conformar com toda e qualquer ausência desse sentimento, mas nunca com os problemas que ele lhe trouxera e com os descaminhos que gerou. Quis chorar, mas lembrou das ultimas promessas que fizera a si mesmo e da vergonha que vinha causando ao seu intimo, engoliu o choro e se pos a observar a rua mais uma vez.

Morava longe do grande centro daquela cidade e ali era tão calmo quanto um pousar de um pássaro em busca de comida para seus filhotes. Havia uma única parada de ônibus localizada um pouco a frente da sua casa, alguns apartamentos silenciosos e casas com muradas baixas.

Não passara das 7 horas daquela manhã quando...

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