23.9.11

Meu setembro continua agosto.



Vou a diversos lugares com enumeras pessoas, mas a minha única vontade é de encontrar o caminho de volta pra casa. A minha ignorância não costuma me deixar em paz e a minha autonomia me atormenta dizendo que devo ir embora das coisas antes que perca o controle sobre mim e sobre elas. E que é mais sensato me afastar daquilo que me faz mal, mesmo que isso signifique perder todas as coisas boas de um momento. Mas é sempre a necessidade que me faz ficar...

Estou sempre ouvindo meu silêncio para poupar meus próprios ouvidos de um grito ensurdecedor. Meu cérebro não consegue parar um só momento e eu mal posso me concentrar na mesma coisa por mais que alguns minutos. Meu pobre e deslocado cérebro conta meus passos na rua pra desviar a minha atenção do mundo, das pessoas e suas manias de contradição.

Empacotei todas as culpas que me deram para me mandar de presente de aniversario. Me alimento de ilusões para livrar o estomago vazio dos freqüentes enjoos e se vomito o caos é por não saber digeri-lo. Quero tanto ir, que acabo fincando ainda mais os pés nesse chão de concreto fresco esperando o vento secar rápido o suficiente para que eu não possa obedecer minha necessidade vital de correr a tempo. Meu coração está cansado das sobras que me são deixadas pelos cantos e dessa infinidade de coisas pequenas para o qual foi acostumado. Sempre transformando o pouco em essencial para fingir que é suficiente, sempre arriscando muito para perder tudo e apelidar de destino.

Meu insistente mundo de faz de conta tem paredes mais sólidas que tudo isso aqui fora, minha mente tem hipóteses mais concretas que todos esses fatos que tenho que encarar; meus gostos não querem me deixar viver no conformismo e as minhas vontades não são passiveis de enumeração. Mas agora não posso pedir perdão pelo descontentamento, é tarde e já me pedi desculpas demais.

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