30.8.11

Aparentemente não faz mal.




Fiquei horas relendo textos antigos na esperança de encontrar meu coração e não consegui. Remexi nas emoções, nas lembranças, nos gostos e desgostos e não consegui me devolver a mim mesma. Não pude evitar e mergulhei novamente no meu nada. Não é uma sensação nova, nem tampouco uma sensação única.

Única é a ultima coisa que ela pretende ser.

As pessoas ficaram desinteressantes, o cansaço começou a pesar na primeira hora da manhã e os silêncios se tornaram mais agradáveis que qualquer outra coisa do universo. Não há mais paciência habitando o meu ser. Nem benevolência, nem compreensão...

Passei muito tempo repudiando as minhas crises quando deveria abraçá-las.  Também não tento explicá-las, nem a mim e nem a mais ninguém. Meu inferno espiritual pressupõe mudanças. Não é passível de entendimento, nem de questionamentos. Apenas de aceitação.

É como se meu corpo parasse por um tempo para se reorganizar, como se um medidor de conseqüências fosse ativado no meu cérebro para reconhecer tudo aquilo que vale ou não a pena. Como se cada gota do meu sangue transportasse um liquido com alto teor de limpeza; um verdadeiro sistema linfático das emoções.

Não é ruim questionar as pessoas, nem as situações. Nem muito menos mudar o que está prejudicando o seu bem estar. Não é feio lutar para resolver os problemas, cortar atitudes desenfreadas e equilibrar os impulsos. Não é vergonhoso assumir os erros, buscar melhoras e maiores considerações sobre tudo.

A reorganização é cruel. Ela não poupa o seu intimo, a família e nem os amigos. Não pede autorização e nem a quer e por fim, invoca o aparecimento de todos os males. É aliada da impessoalidade.

Uma crise de identidade não é esquecer o nome, aonde nasceu ou o endereço onde mora, mesmo que comumente seja confundida com amnésia, uma crise de identidade é aquela que expõe suas emoções no espelho, que abre os horizontes transformando-os em abismos, que transforma a alegria em melancolia. A paz em desespero e o desespero em uma falsa paz em questão de segundos.


Desculpem a acidez, a calma e a confusão.  E escolham se irão culpar o sono, a enganação ou o descontrole. 

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