15.7.11

Eu e meus problemas com as pessoas



Não consigo me adaptar a pessoas efusivas. Quem sorrir demais perde a espontaneidade. Quem fala muito, peca por inverdades. Há quem chore pela felicidade e também pela tristeza, e eu nem sempre sei lidar com a indecisão alheia. Quem fala alto acaba se tornando desinteressante, não confio muito em quem tem necessidade de chamar a atenção. Os que dizem ser honestos demais, quase nunca são. Os que se dizem benevolentes estão apenas esperando pelo retorno do universo. Falar sempre no assunto não é atributo de quem realmente é. Os tímidos se escondem, os efusivos se mostram. Só confio naqueles que estão sempre observando algo que não se assemelhe ao próprio espelho. Enquanto os segundos analisam seu umbigo, os primeiros estão tentando entender o mundo que os cerca.

Conhecemos as pessoas pelas possibilidades que a elas são mostradas. Os planos acabam entregando a personalidade. Ninguém se torna um tirano no momento que detém o poder em suas mãos. Ele já o era no instante em que vislumbrou a possibilidade. No fim, estão todos querendo a mesma coisa, todos querem o topo da pirâmide e estão sempre ignorando a sua base. A boca nega enquanto a cabeça afirma.  

Não consigo entender ainda o porquê da preferência pelos monólogos e não pelos diálogos. No fim das contas, as pessoas estão sempre procurando um bom ouvido e nunca uma troca de palavras. O desabafo foi tudo que restou das conversas. Já que falar sozinho na rua é considerado loucura, a melhor opção é falar sozinho enquanto está acompanhado. Aquele que só desabafa não irá querer  emprestar o ouvido.

Me perdoem aqueles que ainda são benevolentes, que para o nosso bem ainda não estão extintos. Mas o mal da humanidade é a má vontade. Estamos todos querendo ser atendidos, mas nunca queremos atender. E são esses os merecedores. Má vontade que se confunde com egoísmo que se disfarça de merecimento. Quase sempre quem acha que merece alguma coisa, não merece nada.

Esse é um outro pecado nosso. Achar que está sempre merecendo alguma coisa mesmo que nada tenha plantado. A lei do retorno é obvia, não existe volta sem ida. Estamos todos parados esperando as coisas que queremos. Estamos todos cegos ignorando as coisas que precisamos. Estamos todos perdidos procurando nos outros aquilo que não somos. Seria clichê demais dizer que só é pleno aquele que se conhece por inteiro?

Ter uma ou todas essas caras quase sempre significa ter um dedo apontado para o próximo. Não sei bem quais dessas caras tenho, mas sei bem as que não quero. Creio que agora preciso sair para resolver mais alguns problemas comigo mesma.

Um comentário:

Anônimo disse...

Vc sempre tão esperta. Continua muito bom isso aqui...

Mônica.