2.6.11

E se passar?


Pra começar, queria dizer que concordo com o senhor, Seu Chico Buarque: “Não adianta dormir, que a dor não passa”. Mas quem disse que eu quero curar a dor? Só quero ver o tempo passando mais e mais rápido, como acontece nos grandes momentos da nossa vida. E dormir é sempre a melhor alternativa, acredite.

Dormir é o meu principal sintoma de preguiça. Seja ela do mundo, das pessoas a minha volta, de mim mesma, das minhas obrigações. Essa é a minha primeira resposta e também a mais sensata. Há muito descobri que não adianta espernear porque ninguém está prestando atenção mesmo. E perceber isso é sempre mais prejudicial que qualquer coisa. Não importa o quanto você se importe e queira gritar, quebrar louças ou bater na cara das pessoas para que elas acordem (como num típico filme hollywoodiano), elas simplesmente não se importam com nada além do próprio umbigo, isso quando conseguem enxergá-lo.

Mas uma coisa é certa: quem menos se importa é quem mais cobra. Quem mais consegue fazer com que o outro se sinta culpado por não ser aquilo que ele esperava. Sempre lhe dirão que estarás errado, caso queira aquilo que ninguém mais quer. A maioria das pessoas querem se realizar por intermédio das outras, mesmo que isso custe a felicidade delas.

Não sei há quantos dias eu protelo esse texto. Talvez seja a vergonha da repetição do assunto e o fato de poder parecer desespero ou auto-ajuda, mas não é. Ou é. Não sei. Quem sabe?

        Parece que para me tornar adulta precisarei passar por essa batalha diária, e eu queria poder gritar alto que não quero. Todas essas incertezas acabam com meu sistema nervoso e meu estômago não aguenta. É como beber ácido e senti-lo percorrer todo o meu corpo corroendo cada pedaço, bem devagar. Sempre me falaram sobre sonhos, mas parece que a realidade faz questão de ocupar cada espaço para não deixar sobrar nada, nos obrigando a esconder todos os sonhos no-nosso-mundo-de-faz-de-conta.

        Eu tenho um. Você provavelmente tem um. E encontra isso bem no momento em que encosta a cabeça no travesseiro esperando o sono chegar. Todas aquelas lembranças do futuro não vivido te visitam nesse instante, refletindo no seu inconsciente durante algumas horas, seja noite, seja dia. 


E ainda me perguntam por que ando dormindo tanto... 


Um comentário:

Cacau Monteiro disse...

Um texto delicioso...
Bjo, azedinha.