7.6.11

E se não passar?


Silêncio!
Você consegue ouvir?
E agora? Ainda não?
Imaginei que não.

Talvez o meu desejo agora seja que por um breve momento alguém possa ouvir a minha consciência para me ajudar numa questão não tão simples quanto aparenta. Talvez seja verdade que quem enxerga de longe, ver sempre com mais clareza, apesar de eu acreditar que é apenas uma questão de superficialidade.

Talvez exista um jeito de trocar de consciência com outra pessoa, esquecendo meus próprios pensamentos e adotando outros que poderão ser mais claros ou densos, não importa. Desde que não sejam esses de agora, fazendo morada sem dá nenhuma trégua para que eu consiga respirar menos ofegante.

Substituir os meus pensamentos pelos de uma criança, onde a única preocupação é se terá leite e bolacha enquanto ela ver algum desenho e pinta de verde, o mar que deveria ser azul e de marrom e lilás o vestido da princesa. Há sempre uma lógica na confusão de uma criança e esta é não pensar demais em nada.

Ou os pensamentos de uma idosa com problemas de memória tentando buscar no íntimo do seu inconsciente alguma lembrança que diga o que ela foi, enquanto esquece quem é nesse momento. Sentada na calçada vendo a vida passar ao lado, tão distante quando o rosto que acabou de esquecer.

Trocar de pensamentos com um artista que revoluciona o seu tempo, que cria e recria sua vida a cada instante antes que esses se percam no passado. Guardando troféus na estante para nunca esquecer aquilo que foi.

Mas acontece que meus pensamentos são meus e quando deixarem de ser, já não mais serei eu mesma. Mas apenas uma imitação de qualquer coisa. Bons ou ruins são eles que me coordenam e ordenam, mesmo que o caos impere durante tempos indeterminados e que as boas novas cheguem refazendo tudo que foi destruído anteriormente um tanto tarde demais. Tudo que eu sou agora e o que fui e também o que serei é dependente do que penso nesse momento, mesmo que isso se assemelhe a um fardo na maior parte das vezes.

Às vezes, quase posso invejar aqueles que não fazem juízo de valor das situações, que não questionam os motivos e sorriem para as injustiças porque não foram vítimas delas. Parece que a ignorância realmente liberta. Uma liberdade tão falsa quanto à possibilidade de um dia desses, eu poder substituir o meu pensar pelos de outra pessoa.

Talvez eu seja apenas jovem demais...

Um comentário:

Tiago disse...

Queria tanto substituir meus pensamentos pelos de uma criança.

T.