3.4.11

De boas intenções...



Eu adotei uma conduta na vida que para poucas coisas abro exceção. É uma forma de preservar a minha saúde mental em meio a esse mundo cada vez mais doido-maluco-beleza, porque graças a minha falta-extrema-de-paciência-e-excesso-de-sinceridade, eu não lido bem com a maioria dos humanos.

Eu decidi, por exemplo, parar de me incomodar com as pessoas. Eu simplesmente não me importo com o que elas estão fazendo com as suas vidas, nem me meto nas suas decisões e continuo assim até que isso afete a minha vida de alguma maneira. Mas não é sempre que consigo, ainda assim teimo em eventualmente abrir exceções para no fim, levar a culpa pelo caos que se instala. Acontece, e é exatamente esse o risco que evito por um motivo bem simples: não tenho paciência, nenhum pouco.

As minhas exceções partem de um princípio bem maior, que é o de me importar realmente com a pessoa afetada e primar pelo seu bem-estar. E isso, eu tenho que ter certeza (sempre temos de alguma forma). E se mesmo com tudo isso a coisa toda ficar errada, eu simplesmente lavo minhas mãos como deveria ter feito no inicio. Não adianta falar e falar se a pessoa mais interessada não quiser ouvir. É como tentar dar conselhos a alguém que só quer  desabafar pra aliviar a alma.

E há uma necessidade em culpar aquele que deu o “conselho” ou a simples opinião e isso eu não admito, é algo que minha mente não raciocina e meu corpo não digere bem. Fazendo uma  analogia simples: Você quer se matar e eu te dou o argumento correto para que não faça isso, você deixa a idéia de lado e depois de um tempo resolve concordar com aquele que te deu a corda e te indicou o melhor lugar para o feito e me culpa por não ter te deixado morrer no primeiro momento. Quase nunca aquele que deu as ferramentas de execução será culpado. Já aquele que tentou evitar...

E foi então que surgiu o velho dito popular: “De boas intenções o inferno está cheio...” e está mesmo. Está cheio porque a intenção é sempre interpretada da pior forma, porque somos humanos e só enxergamos aquilo que nos convém naquele momento. Não importa se a intenção é boa ou não, importa o que se quer fazer e ponto final, portanto, a intenção sempre será falha.

E eu não suporto essa hipocrisia, essa necessidade de mostrar aos outros justo aquilo que não somos, como se agradar fosse o ponto principal e nós sabemos que não é e nunca será. Limitar sua vida a opinião alheia é um ato de crueldade com você mesmo. É quando se prefere ser um segundo você, para que a outra pessoa seja ela mesma, está assinando um atestado de burrice, porque é exatamente isso o que irá destruir a situação: aquele momento onde se tem que voltar para o seu eu “verdadeiro”, posto que ninguém aguenta uma vida inteira de fingimento. Uns segundos, alguns dias ou mesmo anos, mas uma hora a coisa toda cai por terra e você fica sozinho bem no centro do furacão.

Assim como culpar quem te deu um conselho pelas suas escolhas é idiotice; a hipocrisia é o esgoto humano. É o que me faria querer ir embora todos os dias, o que me faria querer gritar pro mundo a mentirada toda, é o que me roubaria o sono toda noite... Se eu realmente me importasse com as pessoas.

2 comentários:

Danubya Medeiros. disse...

Senti firmeza, concordei e gostei.
"A hipocrisia é o esgoto humano" Muito verdade...E quem navega por ele, passa a condição de rato.

Bjobjo.

infinitaspossibilidades disse...

me identifiquei, belo blog