21.3.11

Dormir não é solução.



Quem me ler a um tempo sabe que volta e meia eu paro aqui com uma costumeira crise de identidade. Mas dessa vez é diferente, o desespero sumiu e restou uma sequência sem fim de coisas repetidas. É domingo, mas poderia ser segunda, quinta ou sábado que não iria importar, nem tampouco eu saberia distinguir as causas e consequencias desse todo.

Os dias de euforia passaram, os vazios se instauraram e os densos batem a porta e eu não sei mais e nem sei se quero me proteger, porque no fim, isso significa criar uma barreira e não encarar de frente toda essa maquilagem no feio e errado para que o mundo continue girando sem que eu tenha que consertar nada, nem a mim, nem a ninguém.

É que cansa lutar contra o desconhecido. Cansa continuar achando todas as pessoas bobas, chatas e não merecedoras de atenção, mesmo que isso seja a verdade. Cansa não querer conversar por já saber a hipocrisia de cor. Cansa porque não há como mudar as pessoas a sua volta, nem as que ainda irá encontrar. E é cansando de tudo que paramos no cansaço maior, aquele de nos mesmos. Porque preferir a solidão também cansa. Como cansa ser o contrário de tudo isso. Ser extremo cansa e ser morno não compensa a vida.

O vazio te estagna e te prende com mil correntes e venda seus olhos, depois de te trancar num quarto escuro. Escuridão sobre escuridão e o gosto armado na garganta. E enxergar o claro incomoda e assusta. Tanto quanto um cão feroz assusta um gato ou o monstro do armário uma criança. Ver e compreender as coisas como elas realmente são... Eis uma das maiores dificuldades humanas. Nossa mania de transformar e adaptar algo da melhor maneira ao nosso favor é o que destrói a nossa capacidade de mudar e de encarar o grosseiro para se livrar de uma vez e não, assim, aos poucos, enquanto perde pedaços e mais pedaços seus.

Um comentário:

Danubya Medeiros disse...

"Ser extremo cansa e ser morno não compensa a vida." Nossa,me vi nisso heim...Deve ser por isso, que ando cansada,ser com intensidade extrema,mas a não compensação que o morno traz,realmente não me encanta nenhum pouco,o morno não faz, e nunca fará, café pra mim - não me apetece.
Excelente,adorei e adorei.