31.1.11

Eu, eu mesma e todos nós.


Escrever sobre si mesmo é egoísmo? E escrever sobre os outros é o que? Se formos pensar bem, todo e qualquer texto é de certa forma autobiográfico, pode não ser enquanto escrevo, mas será enquanto outro ler e aquele indicar a um terceiro que tentará se colocar na situação, surgindo uma bola de neve infinita e densa. Porque no fim das contas, é isso que somos. Eu sou você e você se tornou o que mais detestava no passado e o seu pai? É o que você será no futuro.

Seu escritor preferido relata sua vida e suas experiências e acaba dizendo aquilo que você queria dizer. Um escritor amador disserta sobre sua família e imaginamos a nossa ali. Eu abro a boca para gritar e acaba saindo o seu grito ao invés do meu.

Não há egoísmo na literatura. Enquanto eu escrevo sobre mim, você procura motivos para ler e enquanto faz isso, um outro escreve sobre a beleza das coisas e um romântico irá se identificar e mandar o texto para sua namorada, que mostrará as suas amigas que mandarão para os seus respectivos namorados e assim por diante... As palavras não possuem donos. E se isso pareceu confuso, é porque todos nos somos.

Esse texto é meu, seu e de todos os que acharam que não era perda de tempo lê-lo.

Um comentário:

Danubya Medeiros. disse...

Belo texto,Aninha.
A arte de escrever seja sobre o que for,que seja sobre a maior amenidade do dia,é algo tão mágico, que sempre consegue tocar e gerar alguma identificação nas pessoas que leem.Que seja numa única linha,acabamos por nos ver naquilo que fora dito.
O que a gente escreve,nunca fica só conosco,porque como você mesma disse: ''As palavras não possuem donos'',você tabm diz aí em cima:Que as palavras são sagradas,e deve ser mesmo esse sagrado delas,que explica tamanha proeza.

Um abraço meu.