3.7.10

Alegria, alegria!


"Sem explicação, ordem e motivo, me arde uma alegria, que não aceita ser felicidade, porque a felicidade é uma palavra muito longa e a alegria tem pressa. Não sei se é uma alegria herdada, uma alegria que esbarrou em mim e que me salvou de ter pensado demais para devolvê-la. Uma alegria que é muscular, como se o ar fosse uma guitarra encordoando o ar, e houvesse um amor me pedindo para falar baixo nos ouvidos ou uma criança me chamando pelo apelido que esqueci. Uma alegria sem dono, que poderia ser uma ovelha de água, uma orelha de mar, um poço com hálito de café, uma figueira entranhada de pedras, o barulho alaranjado do portão que denuncia a visita, a tosse do fogo, as ervas e suas cartas datilografadas sem acento. Uma alegria de deitar na grama e sentir que está molhada e não se importar com a roupa orvalhada e não se importar com a hora e com os modos, uma alegria que é inocência, mas sem culpa para acabá-la."

Um comentário:

Mayara Lazarini disse...

Acho incrível os que conseguem escrever quando estão felizes e mais ainda os que conseguem escrever sobre felicidade, eu não consigo, acho difícil escrever sobre algumas coisas...Outras nem tanto...
Adorei o blog, vou te seguir, se puder, quiser e der, passe no meu também, comente e me siga se gostar...
beijos