10.3.10

‘No céu havia nove luas e nunca mais encontrei minha casa...’

Escrever de repente tornou-se uma das coisas mais complicadas pra mim. Não é falta de inspiração, de assunto ou mesmo de tempo; apenas minhas palavras não conseguem mais um alinhamento justo, não se encontram, não se entendem. Parece que se separaram do meu corpo, assim como fez minha alma. Não é que eu tenha parado de sentir essa gama de sentimentos e sensações que sempre me envolveram, eu apenas parei de reclamar ou mesmo de querer entender cada coisa que me acontece. Aceito, pelo menos por hora, sem questionar, qualquer uma dessas derivações.

Odeio que fala coisas por metáforas para me atingir de alguma maneira ou quem fica na espreita me observando, esperando o momento certo de me apunhalar pelas costas. Parece que não, mas eu vejo, eu entendo e nutro mais desprezo por quem age assim. É inevitável. Meu Eu não me deixa ser diferente e passo a ser indiferente. Ando especialista em indiferença, em silêncio, em mim mesma. Ando especialista em controlar minha pouca paciência, já que não posso obter mais dela. Ando mais comigo mesma do que com qualquer outro. E não me sinto perdida, mesmo sabendo que não me encontrei ainda, creio que o caminho congelou para me preservar de alguma maneira, e que começa a se alargar para eu possa encontrar finalmente novas maneiras de caminhar.

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