30.11.09

Um livro, um lar.



Chega um momento em que não existe mais a leitura pura. Não deixo o autor concluir a frase, vou me procurando em tudo o que leio. Chega um momento em que não existe mais uma hora para a criação. Não deixo acabar o pensamento, vou me desperdiçando em tudo o que escrevo. Minha paciência é a amizade de duas pressas.

2 comentários:

ErikaH Azzevedo disse...

Tb tenho essa sensação...não consigo ler por muito tempo sem ter que parar o que estou lendo para escrever...sei q não escrevo como o carpinejar mas no que escrevo sempre acontece assim, ler sempre me inspirou...mas tb as vezes acontece ao contrário, escrevo e derrepente lembro de algo q já li...é q as palavra sempre anda com outra palavra...juntas... e de mãos dadas.

Bjos

Erikah

ErikaH Azzevedo disse...

Ahh..lembrei de um outro texto q fala de outro modo o q o carpinejar aqui falou...deixo-te...é apenas mais uma divagação...mais uma dentre tantas que aqui vejo.

(...) Quem vive para a poesia deve ler tudo. Quantas vezes, de uma simples brochura, jorrou para mim a luz de uma imagem nova! Quando aceitamos ser animados por imagens novas, descobrimos irisações nas imagens dos velhos livros. As idades poéticas unem-se numa memória viva. A nova idade desperta a antiga. A antiga vem reviver na nova. Nunca a poesia é tão uma como quando se diversifica. Que benefícios nos proporcionam os novos livros! Gostaria que cada dia me caíssem do céu, a cântaros, os livros que exprimem a juventude das imagens. Esse desejo é natural. Esse prodígio, fácil. Pois lá em cima, no céu, não será o paraíso uma imensa biblioteca? Mas não basta receber, é preciso acolher. É preciso, dizem em uníssono o pedagogo e a dieteticista, “assimilar”. Para isso, somos aconselhados a não ler com demasiada rapidez e a cuidar para não engolir trechos excessivamente grandes. Dividam, dizem-nos, cada uma das dificuldades em tantas parcelas quantas forem necessárias para melhor resolve-las. Sim, mastiguem bem, bebam em pequenos goles, saboreiem versos por verso os poemas. Todos esses preceitos são belos e bons. Mas um princípio os comanda. Antes de mais nada, é necessário um bom desejo de comer , de beber e de ler. É preciso ler muito, ler mais, ler sempre. Assim, já de manhã, diante dos livros acumulados sobre a mesa, faço ao deus da leitura a minha prece de leitor voraz: “A fome nossa de cada dia nos daí hoje...” .

(Gaston Bachelard)