13.10.09

Cinza.


Me tira daqui
(Não adianta gritar)
Me ajuda a fugir
(Ninguem vai escutar)
Não aguento mais...
Eu não sei a resposta!!

(EngHaw).


Não nos libertamos de alguns vícios por motivos simples... Perdemos, por exemplo, a certeza de quem vamos ser após ficar sem aquilo. Não defendo a permanência nos mesmos, defendo apenas a proteção a sua identidade. Só conseguimos largar determinadas condutas quando temos certeza de que aquela prática reiterada vai nos matar; nesse entendimento ganhamos uma nova identidade, que alguns chamam de liberdade, eu prefiro chamar de independência. Vícios não se resumem a drogas licitas ou ilícitas. Não é essa questão que eu tento discutir tão tarde da noite, quando já perdi o sono e ele não me encontra mais. A questão vai além disso. Falo de vícios mais complexos, imperceptíveis... mas com a mesma angustia de impossibilidade, a sede de poder ser, de sobreviver alem daquilo.
Desejos podem nos matar. Sentidos também. Algumas vezes, não dá pra escapar do nosso próprio cérebro, ficamos frágeis e uma parte nossa que não conhecemos, domina imediatamente a outra que costumamos ser. Ficamos a mercê... perdemos o sono, à vontade, a força... ganhamos tristeza, reclamação, descrença. É que esperamos muito por uma coisa que vai nos tirar do poço e ela demora, demora, demora tanto... até que começamos a achar o poço bonito, a enfeitar o poço, a amar o poço e fim... a loucura é o fim que teremos. Não há clinica de reabilitação, não há crises de abstinência. Apenas se perdeu a chance de sair disso tudo inteiro. Entramos nas situações e as situações entram na gente, e depois fica difícil distinguir quem é quem...

Um comentário:

Amanda Florenzano Penha disse...

adoreii esse blog to seguindo
(: