19.8.09

Quase... quase!




Tenho a ligeira sensação de que preciso da minha casa, daquele cheiro de infância despreocupada que apenas ela tem, mas eu preciso dela sem medo, sem dores; de quando eu me sentia parte daquelas paredes todas e daquele chão escorregadio pela manhã. Uma parte de mim quer indubitavelmente descobrir aqueles velhos motivos que me levaram de volta enumeradas vezes. Uma parte de mim quer resgatar todo aquele gosto doce das tardes na calçada.

Quando tudo está quieto demais, quase posso ouvir o som dos passos de crianças correndo pela rua, e quase enxergo meus sorrisos simples, verdadeiros. Chego a sentir o cheiro daquele ar, as vozes desafinadas que tínhamos, os medos, os sonhos que se realizam ou não.

Crescemos e perdemos metade da nossa capacidade: de sentir sem medo, de saber voltar no momento oportuno, de dormir em paz. Cometemos tantos erros que perdemos parte da nossa identidade; é como se outra pessoa fosse se formando dentro da gente, substituindo todos os devaneios infantis, os sonhos impossíveis, as vontades que jamais se tornariam verdades. Perdemos a nossa infância de um jeito cruel, e infância é algo que nunca deveríamos perder. Apesar dos dizeres que podemos ser criança para sempre, considero isso uma ‘mentira pura’, que nos ilude a fim de nos tornar seres melhores. Para ser criança e ter infância, é preciso pureza... para errar, para se desculpar, para saber se conduzir pelas dificuldades na vida. Para saber lidar com as perdas; é preciso sinceridade, honestidade e coerência! Sim, crianças são coerentes e infância precisa de honestidade.

Desaprendemos tudo isso, principalmente quando desaprendemos a como voltar pra casa, alguns cedo... outros tarde demais.

Um comentário:

Hosana Lemos disse...

que saudade de minha infância...do tempo que eu era feliz e não sabia.
ô tempo bom...


bjos