24.7.08

sobre o que eu falava mesmo?


O que me dar mais raiva quando estou tentando manter algum tipo de conversa com outrem, é quando eu sei exatamente o que aquele individuo irá me dizer. E só de imaginar que esse estaria me dizendo exatamente pra fazer aquilo que me disse anos atrás, meu estômago dar um giro de 360º e poucas coisas sobrevivem inteiras a um giro assim. “Faça isso, fale aquilo, não trate fulano assim! Coma verdura que faz bem a saúde ou aqueles que dizem: eu nem sei porque tenho esse peso todo, metade do meu prato no almoço é verde e tudo que é verde é leve e você come três vezes a mais do que eu, e nem tem gordura localizada... Fica difícil notar o outro lado do mesmo prato, com toda aquela picanha suculenta e arroz, muito arroz, porque branca é a cor da paz e não pode faltar no prato. E um pouco de feijão que eu sou brasileiro e mereço comer feijão todo dia”.
E seu cérebro fica gritando e você fecha a boca o mais rápido possível antes que algo extremamente desejado, porem inoportuno saia de uma vez. Porque palavras não pensadas magoam, tanto quanto as que são pensadas, mas as que são pensadas geralmente são medidas, então há um pouco menos de violência, digamos assim, ao serem ditas.
Mas que a vontade aparece e some varias vezes dentro de você em frações de segundos é inegável. Então, assim meio sem querer, passei a adotar uma espécie de surdez oportuna ou na falta de ironias, o recuso do ok, do legal.
Mas o mais legal mesmo seria cada qual cuidar de si e deixar o outro da dele, quando ele quiser assim ficar. No meu caso, quase sempre quero isso. Falo pouco, às vezes, só quando necessário, alguns demoram a conhecer o timbre da minha voz e como já dizia um velho conhecido: nunca morri disso. E das vezes que eu morri, nunca fiz isso sozinha, tem sempre alguém para te ajudar nessa tarefa. Por mais que você não passe sempre por determinada calçada, haverá algum que não cansará em esperar você passar pra que ele finalmente saiba a utilidade do pé... Tropeçarás e sabe todas aquelas palavras que você guardou lá atrás? Elas já não vão servir mais!

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