4.4.08

Sétimo andar (23)


Às vezes, é melhor nada desejar. Há forças que movem o mundo que podem nos escutar; Nem sempre aquilo que dizemos é o que realmente somos, e nem aquilo que fazemos, vai dizer quem nos tornaremos.
Há uma infusão de atos e pensamentos que nos vão transformando ao longo do tempo. Não importa em qual lugar você venha a se perder ou mesmo que não saiba aonde irá se encontrar novamente.
Encarar é de longe a saída mais modesta, tenho medo do mundo pela imensidão que ele se faz e medo das pessoas pela modéstia que elas representam, não sei o que cada um traz na sua mente, nem mesmo eu sei o que trago aqui dentro.
Passo metade do meu dia querendo desvendar o ser humano e a outra metade procurando formas de me defender destes. Aqui estou largada ao léu, escrevendo num pedaço de papel deixado de lado por alguém que a esse mundo pertenceu antes de mim, estou vivendo uma vida passiva e incapaz, de quem não soube encontrar a sua paz.
Não sei por onde andar e nem tenho mais forças pra recomeçar. Tenho saudade de tudo que já vivi e medo do futuro que se faz aqui, muito certo.
Eu escrevi a minha historia, andei por linhas tênues, nem pude notar, que o lugar para se está não é aquele que nos agrada, e sim aquele que nos põe medo, apenas neles poderemos crescer e no fim dizer que se soube viver.
Acertei, errei, julguei, das conseqüências sempre fugi. E agora o que eu mais queria era alguém pra escutar a minha voz. Sinto-me mais viva aqui a cada dia, sentindo que isso nunca terá um fim. Estou no infinito das coisas, tomada pelos sentimentos que sempre provoquei.
A passividade me persegue e a vida segue sem muita coisa a fazer. Há não ser das memórias viver. Estou presa a minha própria mente que agora vaga sem direção.

- > Louis, lugar inerte, ano: 1900 ou 3100, tanto faz, nada mudou por aqui desde que cheguei. E a vida me castiga, dando-me mais vida e me persegue dando-me mais solidão. Pobre menina indefesa, sem destino, sem esperança. A quem só sobrou o coração.