4.4.08

Sétimo andar (22)


Ao abrir seus olhos percebeu que nada havia mudado de fato. Tudo estava no mais perfeito lugar. Ela se encontrava viva e todos os lugares iguais ao que ela havia deixado.
Por um instante sorriu, correu ate sua casa. Tudo parecia normal.
Apagou as luzes e esperou as vozes a atormentarem, mas não aconteceu.
Procurou o barulho dos pássaros que havia ao entardecer, mas não estavam lá. A eletricidade funcionava, a iluminação da cidade nunca fora tão atraente. Mas não havia barulho algum...
E de repente, ela pode perceber que se encontrava sozinha ali. Não havia vozes na sua mente e muito menos nas ruas, não havia pessoas caminhando, nem sorrindo. E o sol não estava? Ou seria noite. O tempo ficou indefinido. Tudo aquilo que ela dizia odiar, desapareceu.
Em outros tempos aquilo seria perfeito, não agora, não ali. Ela não pode, nem soube se conter. Correu em busca de algo ou alguém com vida alem dela, mas não encontrou.
Deitada no chão, se pos a pensar na decisão tomada. Acredita que encontraria a morte, mas estava ali viva e no mesmo lugar. Como se nada tivesse acontecido...
E todos os letreiros da rua piscavam, sétimo andar. O lugar onde ela se encontrara e se perdera no vácuo. Toda decisão gera uma conseqüência, mas aquela era pesada demais, ate para ela.
Tinha tudo que sempre quis pra si, mas a solidão tornou-se maior, não poderia suportar ficar sozinha, desejou voltar e fazer a outra escolha; queria agora encarar a todos um a um, tudo era melhor que o esquecimento, que está realmente sozinha, que nada ser.
Mas sabia que não podia. Estava fadada a ali permanecer, quem sabe um dia morreria, ou talvez aquilo fosse o seu purgatório. Afogada em sua eterna dor, acalentada pela solidão e não iluminada. Perdida e isolada.
Tantas perguntas a serem feitas, e ninguém nem mesmo a sua mente estava ali pra respondê-las!!

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