4.4.08

Sétimo andar (21)


Vozes começaram a surgir pela janela, sentiu-se uma bruxa levada à fogueira... Seria aquela a sua crucificação? E do outro lado o profundo silêncio do entregar-se ao nada, de cair no vazio. Não sabia o que era pior, render-se ao total esquecimento ou ser lembrada da forma que seria.
Fechou seus olhos tentando ver qual resposta veria. Pra onde correr, se é que se podia! Viver da forma que evitara, ela não queria, mas também não queria deixar de viver. Era orgulhosa demais pra entregar sua vida em qualquer uma das escolhas.
Sentiu vontade de chorar, mas seus olhos não corresponderam. Estava seca, em todos os sentidos imagináveis. O que fazer agora, que sua vida dependia das duas formas: negar o que vinha sendo; deixar de existir ou existir de uma forma diferente, definitivamente ela não queria escolher.
As vozes reais ressoavam em sua cabeça... Chegou à conclusão que não agüentaria. Depois de uma vida inteira fugindo, encarar os fatos tão veementes. Olhando mais uma vez a multidão que parecia esperar pela pobre menina atormentada, distraída e infundada. Correu ate a outra janela e encarou o abismo, recuou por um instante e tomada pela duvida, se atirou. Se arrependendo do fim.

Nenhum comentário: