2.4.08

Sétimo andar (20)


A caixa que ela havia atirado na parede, finalmente se abrira e mostrou-a que ela não era mais uma incógnita perante os demais, todos a conheciam, como ela os conhecia. Nas mais diversas formas que se pode conhecer outro, com as limitações básicas. Aquilo a assustou.
Nunca pudera imaginar tamanho fato, odiava se revelar. Fazia com que terceiros a conhecesse a partir de suas próprias palavras e não em profundidade, isso a tornaria previsível aos seus olhos, e ela gostava de nunca condizer com as coisas pensadas, de sempre dizer aquilo que outros tinham medo e de fugir, sempre que podia.
A caixa continha duas setas, cada uma apontando uma direção: as duas o mesmo destino, a liberdade. Ela foi de encontro a uma das janelas e pode ver que a multidão estava parada, como se estivessem a sua espera.
Alguns rostos sarcásticos, outros com semblante de pena, outros tomados pela raiva. Ela sentiu seu corpo tremer diante daquilo e correu em busca da outra janela.Um imenso e profundo abismo que de certa forma a atraia. E se pos a pensar desesperadamente qual das janelas pular.
Uma seria sua morte convencional a outra sua morte real. Tinha medo de encarar as pessoas, tinha medo das palavras que elas lhe diriam. Desejou por um instante a escuridão do seu lugar. O silêncio quebrado pelas vozes que a atormentavam. Desejou nunca ter entrado ali e odiou as formas pelas quais poderia sair.
Nas duas teria que se abster, a coisa que a dava certo prazer: viver, mesmo que fosse para subestimar outrem, mas aquela era a sua forma de ser e era egoísta demais pra jogar sua vida fora.