16.3.08

Sétimo andar (9)


“Quando temos medo de mostrar aquilo que realmente somos, acabamos criando um personagem de nos mesmos. O que nos difere é apenas a aceitação dos demais. Ninguém nunca se revela por completo, outros não são nem parte daquilo que dizem ser e os que se revelaram por completo, duraram tempo insuficiente para escrever a sua história!”.
Ela escrevera isso numa tarde de outono, as folhas caindo no jardim como as máscaras que ela possuía. Tentando justificar ou até mesmo entender o porque de todos os seus atos até então...
Enquanto andava pelos corredores, essas palavras se multiplicavam, seria uma conseqüência ou uma seqüência do fato anterior? Estaria ela pagando seus pecados ou sendo testada? Quais as perguntas que ali cabiam ou as respostas que encontraria!
Os espelhos ainda apareciam na sua mente; quando ela fechava os olhos, as verdades trazidas por eles, doíam, maltratavam. Começava a sentir o gosto, daquilo que praticava durante toda sua vida.
Algo havia quebrado a sua estrutura. Ela já não conseguia distinguir os pedaços, nem se quer juntá-los. Não poderia nem prevê aonde realmente queria está!
À medida que os lugares iam se revelando, o “guardião das sombras” ia se fragmentando, assim como ela. Já não o possuíam em suas mãos, aquele lugar tomara conta deles.
Sentiu o arrependimento arrebate-lhe os joelhos e ela caíra como se reverenciasse o nada; as paginas jogadas ao seu redor, amassadas, com verdades, inverdades, revelações sobre ela. Todas as coisas postas com único intuito de fazer com os outros, o que ela não conseguia a si mesma. O medo das revelações que fizera sobre si mesma a consumia, por onde ela andaria, como ela evitaria... Tanta coisa que ela não sabia!

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