16.3.08

Sétimo andar (8)


Olhara o chaveiro para se certificar qual chave deveria usar na próxima porta que aparecia adiante. Ela se sente cansada daquela situação. Não buscava mais nenhuma resposta, no fundo, seu desejo maior era apenas o de voltar para casa.
Ao encostar a chave na fechadura, não foi preciso se quer fazer um segundo esforço para a porta se abrir. Esta fez isso por si só, revelando assim, mais um lugar. Uma luz apenas estava acesa, mostrando um espelho e uma imagem que a encarava de uma forma que ela custou a se reconhecer.
Mesmo repetindo seus gestos, parecia que era uma pessoa aquém, com pensamentos próprios que ela relutava pra descobrir. Às vezes, parecia que queria revelar algum segredo, mas era apenas o seu reflexo.
Começou a dar passos no local na tentativa de livrar-se da sua imagem, que a incomodava pela primeira vez em toda sua vida. Porém, novos espelhos foram se revelando na medida que o local ia sendo explorado.
A angústia abateu-se sobre ela, que sentara por um instante no centro da sala, vendo em cada imagem sua, uma pessoa diferente, nem ela mesma sabia qual delas era a real, nem mesmo sabia se aquilo tudo era real. Seu medo sempre fora evidente, trancada a sete chaves em algum lugar dentro dela, estava sua verdadeira forma que nunca quisera revelar, receio de que aquela que surgisse, viesse a destruir completamente toda a sua perfeição criada nos mínimos detalhes até então.
Levantou-se e seguiu até um espelho de moldura diferente, passou a mão na tentativa de retirar toda a poeira, tanta que ele nem a refletia... Após alguns instantes percebeu que não era a poeira, ele não a refletia de forma alguma.
Palavras começaram a surgir no espelho, ela queria correr dali, mas seus pés não se moveram em nenhum instante, começara a perceber que não eram simples palavras, eram verdades contundentes sobre ela mesma. A prova de que ela não era metade daquilo que se dizia, e a partir dele mais uma porta se abria...

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