15.3.08

Sétimo andar (7)

Ela sentia seu corpo flutuar junto com todas as coisas que se encontravam naquele lugar, ela e o caderno giravam um de frente para o outro... E não mais que de repente, uma força a puxou para baixo e ela caiu sentada em uma cadeira com o caderno aberto em uma página que ela já tivera vontade de queimar tantas outras vezes...
Às vezes, ela se arrependia e porque não? Só que imediatamente aquele pensamento era substituído pela sua vocação de achar-se perfeita perante os demais. Parecia que todos os sons de suas risadas altas ecoavam nos seus ouvidos naquele instante!
E a sensação que ela sentia, não era das melhores. Cada som cortava sua mente e seus olhos eram ofuscados pelo peso de cada palavra ali posta. Naquela página, ela falara não de outros, mas dela mesma.Utilizando-se de aforismos de outrem explicar-se: "Queria ser uma criança novamente, meio selvagem, livre e atrevida, rindo das injúrias em vez de enlouquecer por causa delas!"(Emily Brontë).
Odiava quando demonstrava fraqueza! Sempre se mostrara forte, arquiteta do seu destino, uma exime manipuladora, e naquele momento se entregara às sombras do seu próprio eu. Mas aqueles fatos eram evidentes demais para negar a si mesma...
Aquilo a maltratava porque ela sabia dos porquês de ter escrito, naquele momento ela não se orgulhara de nada. Havia coisas que ela fazia só pra satisfazer seu ego e não era agradável maltratá-lo.
Quando era preciso, ela atrapalhava, enganava, chorava. Considerava-se uma grande atriz! Era capaz de mentir com o brilho nos olhos de quem fala a verdade, fazia muitos acreditarem que a idéia era deles, quando de fato, atendiam apenas aos seus desejos.
Mas ela possuía algum desejo verdadeiro? Em função de que realmente vivia? Porque todas as noites eram sempre iguais, trancava a porta da frente da sua casa, e se encontrava sozinha...

2 comentários:

Fenrisar disse...

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Anônimo disse...

Texto incrível. Parabéns!