14.3.08

Sétimo andar (6)


O lugar era fundando num teor de mistério e clareza. Para ela aquilo não fazia sentido, mas o que faz sentido realmente? Aquilo que achamos que faz ou o que o outro deve achar? A solidão tantas vezes bem vinda, agora, naquele lugar, parecia penetrá-la de tal maneira que ela podia ouvir o som do seu medo traduzido na ausência que aquele imenso vazio lhe transmitia. Ela ficara inerte, imaginando se aquilo era bom ou ruim. Mas seus pensamentos eram rapidamente sucumbidos.
As paredes se revelaram roxas e caíram uma a uma. Sem o menor barulho proferido. Os únicos sons que ela escutava, eram as rápidas batidas do seu coração. E um leve estado de pânico a invadiu. Como se o fim tivesse apenas começado...
Ela, que sempre imaginara as diversas formas de como poderia deixar o mundo, nunca passara pela sua cabeça, ser possível aquela que estava vivendo. Alguém estava brincando com a sua inteligência tão expostamente e espantosamente. E jurara que encontraria o responsável e o revelaria por inteiro, mostrando as partes que ele quisesse esquecer da sua vida, só para ele sentir a sensação de como é se sentir preso dentro do seu próprio eu. O ceticismo a consumia... Algo a dizia que tudo aquilo era obra de um dos integrantes do seu caderno. Quase que tão rápido quanto o seu pensamento, O “guardião das sombras” caiu da mochila e as folhas começaram a virar lentamente, como se aquela força que ali estava sendo exercida procurasse algo, as letras pareciam maiores, do tamanho da sua vergonha? Ou do seu narcisismo? Ou do seu falso realismo? Isso nem ela poderia dizer, certamente...

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