13.3.08

Sétimo andar (3)


Andando por aqueles corredores desconhecidos, ela não sabia por qual porta deveria começar a sua jornada. Seus pés haviam levado-na até ali, mas qual seria o propósito? Os porquês daquele lugar e de sua presença ali? Sua alma só de pensar estremecia. Para sufocar o medo das coisas estranhas, para não se auto-sufocar, ela estava segurando seu amuleto de sorte, ele representava uma parte intensa da sua vida, e mesmo fazendo parte do passado ela sentia que devia preservá-lo, mesmo que aquilo a fizesse chorar diversas vezes, durante a mesma noite. Ela não se conhecia de verdade, apenas achava que sim. E devido a isso, se considerava apta para anotar tudo que achava sobre terceiros em seu caderno que recebera o nome de “o guardião das sombras”. Porque ali estavam todas as personalidades alheias e tudo que ela omitia sobre si. Ela não era boa com as palavras, mas fazia esse esforço pelo bem dos demais. Um dia ele seria revelado e todas as máscaras cairiam. Mas, de quem possuía realmente a máscara inteira? Porque todos somos possuidores de uma, sendo esta, por sua vez incompleta. Mas ela considera que, alguns a tinham por completo e seu intuito era revelar. Seu único erro era fechar os olhos perante o espelho...

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