31.3.08

Sétimo andar (18)


No fim do corredor havia uma porta diferente das outras, ela sabia que aquele espaço a esperava e foi em busca do que ele iria lhe proporcionar.
Ao abrir a porta, sentiu frio, calor, medo e felicidade ao mesmo tempo, sensações opostas foram invadindo-a e ela não pode entender nada que acontecia, mas sentiu-se leve por um instante e logo em seguida, o peso de toda sua vida recaíra-se sobre suas costas.
Acendeu as luzes e viu várias janelas, aquele lugar era diferente dos demais, parecia mais alto, com mais ar. Por fim, percebera escrito na porta, sétimo andar! Pensou em sair por uma das janelas, mas estaria ela realmente sete andares acima no momento ou aquela era apenas uma denominação banal.
Já não importava. A única coisa valida agora era chegar ao final daquela jornada, ou a um reinicio mais proveitoso, levando em conta que não conseguia imaginar nada além dos próximos cinco minutos. A vida começara a ser um enorme vazio para ela.
Pode vê que em cada janela havia uma caixa com uma chave acima e uma palavra grande exposta aos seus olhos. Tudo começava a findar, mas nada se encaixava naquele lugar.
Palavras como: morte, alegria, perseguição, ninguém, chuva, tola estampavam as caixas, deveria ela escolher uma delas apenas ou abrir uma por uma?
Deveria ela correr daquele lugar e procurar outra saída? Sabia que mesmo que quisesse, ela não podia. A porta atrás dela a trancara ali, só restava encarar os fatos, aceitar as conseqüências e viver cada instante.
Quando se passa de protagonista à coadjuvante nada é muito aceitável, porem contestar aquilo era a coisa mais idiota a se fazer. Ou aceitavam-se as previsões ou ficaria presa no mesmo lugar, e nem sabia como imaginar ate quando. Eram como círculos que se fechavam e encurralavam.