31.3.08

Sétimo andar (17)


A inocência já havia sido perdida há tempos. Às vezes, ela achava que nunca a tivera, em outras, clamava ajoelhada para resgatá-la. Esforço vão. Ela via demais, sabia demais e usava de todas as formas numa busca desenfreada de se encaixar ao meio. Mas tudo era incabível, as suas diferenças eram evidentes, esse planeta não fora feito para ela.
Perdia-se dentro de si, não sabia para onde ir, mesmo dizendo que sabia. Porem essa verdade não condizia; procurava-se nos outros, mas nenhum atendia sua expectativa e quando começava a achar q sim, algo a mudava e ela precisava do novo. O desinteresse pairava sobre o ar toda manha, o que ontem era valioso, hoje era atirado pela janela. Ela queria, mas não sabia para onde ir.
Dizia-se portadora de tamanha loucura, um estereotipo criado para justificar-se de todas as maneiras. Sabia que poderia ser feliz, mas a dor a completava. E pelo menos isso era constante. Algumas vezes, considerava-se mimada. Mas por quem alem dela mesma? Olhava em volta e nada via, além da sua imagem refletida em cada olhar. Cada qual com sua opinião.
Preferia não saber qual, era como se lesse os pensamentos dos que por ela passava e isso a quebrava, mas ela se mantinha. Algo a motivava a fazer tudo aquilo que se acostumara. Errado?
Você pode dizer que sim, mas não pode dizer que não faz. Negamos aquilo que queremos quando dizem ser “ruim”, medo de que? Seus pecados vão dizer quem você foi e suas virtudes tão pouco usadas quem você pretendia ser e você, no fim o que irá fazer?
Parará para rir dos absurdos cometidos ou para se arrepender das coisas queridas e jamais feitas? Sancione quem considerar que deve, mas é sempre preciso tomar cuidado para não se falar demais.
Palavras tendem a nunca serem esquecidas, mesmo quando se volta atrás...

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