31.3.08

Sétimo andar (16)


Estava cansada daquele jogo sem fim, o estimulo de sair dali já se esvaíra, talvez o seu fim fosse aquele lugar, talvez se ela passasse a não se preocupar, uma das portas encontraria o seu lugar ou pelo menos a saída, quem poderia saber.
Assim como ela, aquele lugar era um mistério. E estando ela sendo revelada daquela forma, poderia sim, o lugar passar pelo mesmo. Tudo que se manifesta encontra ou volta para o seu lugar. Ate quando não queremos, as coisas são assim e quando realmente postas, dificilmente são mudadas.
Alguns temem mudar aquilo que é praxe, outros contestam, mas seguem. Terceiros tem uma tendência tão grande a se autodestruirem que acham que tudo não passa de uma enorme brincadeira. Esses terceiros são os ditos, passageiros. Mas, em contra partida a breve vida, encontra a intensa honestidade e verdade. E vivem e mesmo que não contem suas historias, morrem sabendo que viveram.
Às vezes é mais importante a qualidade que a durabilidade. E isso acontecia ali, as coisas passavam com tamanha rapidez que na maioria das vezes, ela demorava a discernir que aquela situação vivida ate então, já havia mudado.
“Quantas pessoas mudam, quanta coisa acontece. Alguns pecados que nunca são perdoados, então, porque pedirmos para sermos perdoados, então? Não há porque pedir. Algumas coisas têm força demais para serem esquecidas por determinadas pessoas, talvez porque essas na realidade não queiram ou ainda porque não conseguem quebrar o nexo existente. E nega-se a acreditar que fracassaram e continuam a achar que são superiores, que podem fazer aquilo que na verdade, vão destruindo-a aos poucos. Porque a superioridade ate existe, mas não ao alcance de nossas mãos. Não adiante armar o bote para capturar um animal, quando se pode cair na própria armadilha”.

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