29.3.08

Sétimo andar (15)


Foi de encontro a mais uma porta, já não tinha o que perder, as verdades sobre ela estavam sendo exposta a medida que aquele local era explorado, não eram apenas flashes da sua mente, era real.
Toda a sua vida estava contida naquele lugar que ela nem se quer imaginava o que era. Sentia-se exposta, demasiada ingênua por ter caído na armadilha do seu destino. Mas, esse de fato existia? O que era o destino se não uma desculpa para os fracassos de alguns, ou para servir de modéstia para outrem? O destino estava longe de ser aquilo que ele pretendia. Por isso, desenhava ela mesma, o seu.
Ate mesmo o acaso ela tentava controlar. Detestava a imprevisibilidade alheia, com a sua já havia se acostumado. Falava sempre com as pessoas, mas nem sempre com as mesmas pessoas! Rostos que nauseavam, vozes, já bastavam as que escutava ao encontrar-se sozinha e as mentiras, ela já sabia de cor.
Havia perdido coisa demais na vida para se mostrar fraca e devido as essas perdas evitava maiores contatos, uma forma de defender-se de possíveis dores que estivessem por vir ou medo de torna-se normal? Nunca quisera pensar nisso.
Desde a infância fora alheia ao mundo a sua volta ou tentara parecer assim... não lembrava dos seus pais, nem se tivera uma família. Tudo parecia ter começado há pouco tempo, como se o tempo tivesse sido apagado da sua mente, como se coisas boas fossem inexistentes, como se tudo não passasse de nada.
O desprezo sempre habitara sua mente, a dor o seu coração. Mas quem se importava? Nunca perguntavam nada a ela, nunca quiseram saber o que ela sentia, se sentia... no fundo, era como se ela não existisse para ninguém. O real motivo para tudo que ela fazia era simples: queria ser apenas notada.