29.3.08

Sétimo andar (14)


De fato, não havia terceiros naquela situação. Começa a observar os detalhes ali postos. Aquele lugar era sua mente, a medida que andava e observava, achava semelhanças com algo que era parte dela. Parecia que havia sido construído com o único intuito de habitá-la. Qual seria a razão para ela está ali? Encontrava-se presa da materialização de seus pensamentos.
Sentia-se traída por alguém. Mas quem? Estava isolada, confusa, quebrada. O mundo antes amplo, agora se fechava em torno dela e isso a sufocava. O ódio parecia tomar com maior força o seu eu.
Tentou abrir uma das portas que não era destinada a ela. Mas os chutes proferidos não moviam um centímetro da mesma, encostada na porta seu corpo padeceu e por fim lagrimas desceram.
Nem se lembrava a ultima vez que havia chorado. Seu orgulho não deixava. Mesmo quando tudo parecia acabado, ela engolia cada choro, cada dor e guardava em algum lugar dentro de si, como se omitindo algo a libertasse! Sabia que não era possível, mas não tinha como ser de outro jeito. Ela nunca aprendera a ser!
Avistou pela primeira vez uma janela. Indo de encontro a ela na tentativa insana de enxergar o mundo fora dali, percebera que ela só refletia o interior do local. Ou mostrava um abismo a sua frente. Ela não conseguia distinguir.
O que fazia sentido ali? Seria tudo aquilo um resultado da sua imaginação? Pensou que poderia está sonhando. Naquele momento ela não podia se enganar. A dor era real demais, as verdades também.
Viu seu rosto refletido na parede. Não se reconhecia, estava exposta demais, com todas as armas depostas. Não sabia mais o que fazer, o que pensar nem o que sentir. Era como se sua mente e seu corpo estivessem se entregando a algo que ela não podia controlar.

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