25.3.08

Sétimo andar (13)


À medida que trocava mais passos, sentia o ar faltando-lhe. Onde ficaria localizado aquele lugar? Quem eram as pessoas que por ela passavam? Porque não falavam? Porque até ali ela se sentia sozinha?
Havia fatos da sua vida que ela se omitia por serem constrangedores demais, por demonstrarem fraqueza, desespero. De tudo isso, ela não queria saber. Nem os mais próximos sabiam... Mas quem eram seus próximos? O que eles sabiam ou percebiam?
Muito a julgavam e condiziam. Outros nem a conheciam, juravam que sim, mas nem se quer sabiam. Parecidos com ela, tanto que achavam que tudo sabia. Mas, naquele ser havia uma incógnita, uma não origem, uma interrogação que em momento algum poderia tornar-se exclamação. Era complexa demais, pra ser formada de afirmações.
Intensa demais pra ser reconhecida. Esperta em demasia para ser duvidada e pouco experiente, porque acreditava naquilo que ela mesma construía. Achava que enganava a alguns, mas era parte do seu jogo. E justamente aqueles que ela ignorava, fazia-se indiferente, eram os que sobre ela mais conheciam. Sábios eram e também não revelados. Seriam eles os autores daquela situação? Ou ela se encontrava presa dentro do seu próprio mundo vão? Sentindo o gosto e da desilusão da sua própria prisão?

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