24.3.08

Sétimo andar (12)


Quando acordou achou que tivesse voltado para casa, mas daquela vez seu desejo, sua vontade não se tornara real, o lugar ali continuava e ela começava a tornar-se parte dele.
Suas roupas estavam diferentes, sua mochila aberta e suas coisas espalhadas, como se ditassem um caminho que deveria seguir, e assim o fez. Caminhou juntando tudo que a ela pertencia. Jogara com todos durante a sua vida e agora era ela, parte de algo que não sabia explicar.
Em meio a milhares de pessoas ela havia sido uma das escolhidas para habitar aquele lugar, isso a agradava, massageava o seu ego, mesmo não sendo a melhor situação, via toda aquela exclusão sentida no mundo se esvair. Se dissipar.
Felicidade era algo que não condizia com ela, mas uma leve sensação a tornou possível naquele momento, mal sabia o que a esperava, não poderia nada prevê!
Toda atitude a partir de então, deveria ser calculada, mesmo com tudo que estava sentindo, ela só queria deixar aquele lugar, sabendo que retornaria a sua vida vulgar, mas pelo menos, nela ela não era personagem da trama e sim a autora. E por conseqüência, sabia a seqüência direta dos fatos. Evitava erros, não demonstrava pontos fracos e sabia o que fazer, ou pelo menos, fazia com que outros entendessem que ela sabia... Tudo isso pelo qual estava passando ia de encontro as suas convicções! Seriam essas, certas ou erradas? Não cabe a nenhum de nós escolher!

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