23.3.08

Sétimo andar (11)


Seus olhos fechavam, seu corpo estava fraco. Sua boca sedenta. Mas não chegara a ver naquele labirinto nada que pudesse curar sua fadiga ou sua sede.
Seus demônios haviam sido libertados; buscando sempre o fim no principio, transformara seus deuses em demônios, sua vida num conto, seu egocentrismo a fazia viver e tudo aquilo perceptível aos seus olhos tornava-se verdades, mesmo quando não eram.
Indo de encontro a tudo que era, tudo que fazia. Um amuleto possuía, uma espécie de colar, que trazia um anjo e na outra face algo que tentara identificar, mas nunca conseguira. E sempre se perguntava o porque daquilo ter sido deixado na sua porta, mas não importava, sempre o segurava quando morria.
Porque ela morria aos poucos a cada nascer do sol, tanta luz a ofuscava, tanto poder a amedrontava. Ela buscava tudo aquilo que não podia ser. Honestamente, se sentia uma conseqüência, uma criação de tudo aquilo que vivera ate então. Não era por querer, era por necessidade, não era pra sorrir com os medos alheios, nem sentir o cheiro da dor. Era pra evitar que tudo aquilo voltasse a acontecer com ela.
A solidão a possuía. Em meio a uma multidão ela se sentia sozinha. Sua companhia era tudo aquilo que sua mochila trazia: seu colar, seu caderno, suas verdades, sua tristeza que não era aparente, mas existia.
Ninguém a interpretava. Ninguém sabia! Aquilo a confortava e a destruía. Vitima do seu próprio jogo, refém do seu próprio gozo. Amaldiçoada? Talvez. Nunca se sabe os planos que alguém tem para você!

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