18.3.08

Sétimo andar (10)


Perceba que tudo que vinha sendo testado nela, no tempo que estava naquele lugar, era parte daquilo que ela gentilmente nomeou de “proporcionar” as pessoas – autoconhecimento!
Nunca se importara de revelar coisas sobre outrem, desde que isso lhe trouxesse alguma vantagem. O interesse a movia, como se matasse seus medos, suas dores, sua agonia. Porque de fato, a paz não a pertencia.
As vozes que ela ouvia eram assustadoramente verdadeiras, a dominavam, se faziam únicas companhias. As sombras fora seu habitat ate então. Acostumara-se a dor, a inquietude, à melancolia...
Ela era uma falsa fortaleza, mas quem não era? Mantinha um falso sorriso? Mas quem nunca proferiu um sorriso ausente de verdade? Talvez o ser “humana” a maltratasse mais do que qualquer outra coisa. Porque ela não podia voar, ela não conseguia escapar. E muitas vezes, tinha apenas que aceitar.
Nutria demasiadas coisas por si mesma como uma forma de não se odiar, mas nem sempre isso era possível. Sabia que perdia tempo com o que não devia, virara escrava de muitas atitudes suas. Sentia que precisava se libertar. E agora a única coisa que ela poderia gozar, era do fator: sentir-se presa e porque não, com razão!?