10.2.08

.que não produz sombra !


Eu tenho o nariz da minha mãe e os pés do meu pai. Sou metade deles na minha própria metade. Tenho meus gostos, minhas vontades que passam e voltam no outro dia. Meus gestos, um sorriso que fala, uma bobagem no dizer, muita coisa na cabeça e tantas outras no coração. Hoje admito essa condição. Não gosto que me traduzam, ou que, quando conseguem, que espalhem por ai. Gosto do anonimato, das minhas observações e da minha boca que geralmente cala. Arco com as conseqüências dos meus atos, e meus erros assumo quando é preciso e tento me arrepender apenas daquilo que eu não fiz. Detesto as coisas inacabadas. Dou gargalhada desses erros e das conclusões que tiro e nunca condizem. Sou cheia de interrogações, abatida pelo desespero da procura, mas não sou totalmente levada pela emoção. Ser forte nem sempre quer dizer que você não tem que chorar. Tentar ser forte, às vezes, nada significa. Prefiro o jeito à força. A piada ao drama. Drama só quando me favorece. Dramas só quando algo padece. Dou minha vida por determinadas pessoas, mas nunca por qualquer coisa. Faço uso da recíproca verdadeira, não sei medir tempo, nem medo, nem qualquer outra coisa. Medir significa admitir que algo pode não dar certo e eu só deixo algo de lado quando já passou do fim. Sou feita de opostos, quase nunca sou aquilo que a primeira impressão deixa e na minha vida só se entra com permissão. Escapo nas palavras e na musica do meu som. A televisão muda me é mais útil, aquele brilho ilumina minhas tortas linhas que o barulho incomoda. Não tenho cor. Sou um dueto de cheiro e som, converso com meus lápis. E faço desenhos sem explicação. Digo que sei de tudo, mesmo não entendendo nada ou vice-versa. Sou a inquietude nesse mundo vão. E digo de coração: aos que me amam e aos que nem tanto – aprendi que um eufemismo, determinadas vezes cai bem. Aquele abraço! Quando todos chegaram, eu já não estava mais aqui. E tenho dito...

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