17.12.07

E se um asteróide...


E se um asteróide fosse se chocar com a Terra, e não houvesse nada a fazer para evitar o nosso fim? Como nos comportaríamos?
Nos convenceríamos, finalmente, de que somos uma única espécie frágil num planeta precário e viveríamos nossos últimos anos em fraternidade e paz, ou reverteríamos ao nosso cerne básico e calhorda, agora sem qualquer disfarce? Nos tribalizaríamos ainda mais ou descobriríamos nossa humanidade comum, e como eram ridículas as nossas diferenças? Jogaríamos nosso dinheiro fora ou cataríamos o dinheiro que os outros jogassem fora, pensando na remota possibilidade de comprar um lugar no ultimo foguete americano e deixar a Terra antes do impacto? Perderíamos todo o interesse nos prazeres da carne e trataríamos de salvar a nossa alma ou, pelo contrario, nos entregaríamos à lascívia, ao deboche e à gula, ultrapassando, às gargalhadas, todos os nossos limites orçamentários?
Como os cientistas nos diriam até o segundo exato do choque com o asteróide em alguns meses de antecedência, seríamos a primeira geração sobre a Terra a viver com a certeza universal e pré-medida do seu fim – e a ultima claro. Muitas seitas através da historia e ate hoje estabeleceram à hora e o modo de o mundo acabar e se prepararam para o evento. Nós seriamos os primeiros com evidencia cientifica do fim, em vez de crença, o que nos levaria a tratar a ciência como hoje muitos tratam as crenças. Pois só a desmoralização total da ciência, só chamar o sistema métrico de ocultismo e termodinâmica de feitiçaria, nos daria a esperança de que os cálculos estivessem errados e o asteróide; afinal, passaria longe.
Se existissem foguetes salvadores e bases na Lua e em Marte esperando os sobreviventes, estaríamos diante de outra situação “Titanic”. Quem vai nos foguetes? (Nada de mulheres e crianças – intelectuais primeiro!). Tem que ser americano? Quanto custaria uma terceira classe? Aceitam cartão?
Nós finalmente nos conheceríamos – e seria tarde.

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