“É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai
além do que se vê...”
Los Hermanos.
Não foram
cinco meses ou cinco dias, foram cinco anos. Nesse intervalo de tempo você pode
conhecer o amor da sua vida, namorar, casar e ter filhos. Em cinco anos você
pode economizar e comprar uma casa ou um carro novo ou os dois, nunca se sabe.
Em meia década você pode ter um filho que já saiba ler ou que converse com a
televisão como adultos conversam entre si.
Em cinco anos
você pode escolher um curso para se graduar, uma universidade onde deseje estudar
e junto a esse seu pensamento simples e corriqueiro estar o pensamento de mais
cinqüenta ou sessenta pessoas. Com as mesmas esperanças e objetivos
semelhantes.
Não parece que
foi ontem, parece que está sendo agora. Que acabou de acontecer ou irá ocorrer
nos próximos instantes. É assim que eu me sinto ao olhar pra trás e ver essa
jornada construída. Mesmo que eu ainda tenha basicamente as mesmas duvidas que
de anos atrás.
O que eu vivi;
com quem convivi, os fatos a serem lembrados com alegria ou tristeza, com
saudade ou alivio não podem ser postos em um único texto. Eu não me atreveria.
Eu não conseguiria. Seria inviável repetir os mesmos feitos, as mesmas piadas,
os mesmos risos, os mesmos choros, as mesmas alegrias, tristezas, dores,
lembranças, saudades...
Conviver cinco
anos com as mesmas pessoas dividindo quase sempre os mesmos objetivos faz com
que uma amizade se torne mais que isso. Faz com que os sonhos criem uma base
forte para se desenvolverem, faz com que os desejos e as vontades sejam estruturais,
faz com que eles se tornem realidade. Pode ser uma graduação em Arquitetura, em
Psicologia ou em Direito.
Nada muda o que foi construído perante os olhos cansados, mas
impossíveis de parar.
Desde aprender
o nome de todos aqueles que estão inseridos naquele lugar a não esquecer de
lembrar de nenhum deles pelo resto da vida, é um longo caminho. Cheio de
conflitos e pensamentos opostos. Cheios de idéias e motivações distintas. Mas
ainda um caminho cheio de benevolência, sinceridade e companheirismo.
Engana-se quem
acha que não existiram conflitos internos. Uma turma convivendo e se conhecendo
diariamente está na iminência de explodir. Caso contrário, não seriamos o que
somos, não seriamos nem sequer humanos. Todavia, uma turma que se entende e se
respeita acima disso está sempre um passo a frente de digerir o conflito antes do
extermínio. Se não há perfeição na solidão, não poderia existir perfeição em
qualquer agrupamento.
Apesar da
teimosia em reviver o passado, em repensar os erros ou o que poderia ter mudado
com uma simples escolha diferente, me orgulho desse presente. Do tempo presente
e até mesmo do próprio clichê.
Não sei o que
sou agora e espero não saber até o último dos meus dias. Detestaria viver com
limitações impostas pelo meu próprio eu. E é exatamente isso que desejo a todos
vocês.
Alunos da
Turma de 2007.1: Não percam a fé. Não se limitem, não se definam e continuem
impossíveis de parar.