18.2.12

Há males que vem para o bem? Não vem!


Eu não poderia inventar saídas perfeitas para os meus problemas porque elas não serviriam. Não posso querer o impossível, porque não existem fórmulas mágicas ou gênios saindo de uma lâmpada qualquer para realizar as minhas vontades. Toda essa ilusão do possível cresceu em mim de um jeito incomum, foi como se de repente eu pudesse ir a todos os lugares sem me movimentar. Mas a vida não espera, não perdoa, não teme...

Me parece que ser adulta é algo semelhante a partir em busca dos próprios caminhos, abrir portas, fechar janelas, tomar banho de chuva em uma fila no meio do nada enquanto espera pelas incertezas. Espera-se que o futuro se torne mais ou menos real ou que aquele sonho possa enfim acontecer. 
Espera deve ser uma variação de esperança e que agora são duas palavras cuidadosamente odiadas.

Espera essa que abandona, maltrata e que repete fatos da sua vida, da vida alheia que você costumava presenciar, do futuro que ainda não aconteceu. O infinito é a espera. As mudanças, gestos e confiança que são rotineiramente substituídas por questionamentos, migalhas e desesperança. A ansiedade incomoda porque tem razão em ter pressa; enquanto eu fico a espreita esperando o futuro se mostrar parte a parte, mesmo que no momento ele insista em brincar de se esconder.

Chega a parecer que o problema está em crescer. Ou seria em querer? Ou seria na minha razão de (não) ser? 

14.2.12

“O que pode ser tão frágil que precisa ser guardado numa caixa de silêncios?
O que pode ser tão forte que precisa ser exposto nessa vitrine de gritos?
O que pode ser tão raro que não possa ser incluso na lista dos desapegos?”

10.2.12

(…) mas se deixou levar pela convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmo.

9.2.12

Vivendo em um eterno domingo





Não consigo mais escrever. Não consigo parar por mais de 5 minutos assistindo algo na televisão.  Não consigo começar aquele livro novo, nem tampouco terminar de ler aquelas últimas 10 páginas daquele que poderia ser o livro da minha vida. Não consigo mais me interessar por conversas banais e nem por causas revolucionárias. Não suporto a minha vontade de dormir o dia inteiro, não aturo a minha necessidade de ficar acordada em busca de viver melhor as coisas da vida.

Meu quarto está bagunçado há meses, a minha vida está bagunçada há anos. Meus amores da semana passada foram substituídos pela procura dos amores dessa semana. Minhas verdades me atormentam diariamente, as minhas mentiras a cada segundo. Não consigo decidir se quero continuar no mesmo caminho quieto e contínuo ou se quero percorrer os caminhos tortuosos que insistem em me avisar que existem.

Deixei de lado o riso fácil e sincero e agora nem sei mais reconhecê-los. Cansei de esperar por soluções repentinas e repetidas ou talvez tenha cansado apenas de esperar. Também já não consigo aturar grosseiras, arrogâncias e mudanças de humor, fico muda e mudo. Mas as mudanças já não surtem efeitos duradouros; a minha inteligência já não me serve e a minha burrice não me atrapalha mais. Não me preocupo mais com o que pensam ou se ao menos pensam. O mês passado foi igual a essa semana e  amanhã será o mesmo dia  que ontem foi. 

Desaprendi a viver no mundo lá fora e o mundo aqui dentro já não me cabe mais. 

27.1.12

É?


‎"Tem um poema da Florbela Espanca que diz assim: 
“As coisas vêm a seu tempo/ quando vêm, essa é a verdade”.
Um dia a coisa sai. E eu acredito no mecanismo do infinito, fazendo com que tudo aconteça, na hora exata."

15.1.12

E agora?



Há varias maneiras de se cumprir rituais na vida. Quando somos levados para a escola pela primeira vez tendemos a chorar com saudades de casa, dos nossos pais, da vida anterior àqueles muros e pessoas desconhecidas. Somos tolos ao pensar que aquele fato é isolado.

Sempre que nossa vida muda de rumo, somos levados mais uma vez aquele infeliz primeiro momento escolar. Só que agora, além das saudades repetidas, sentimos saudades também daquilo que costumávamos ser. E não falo de saudade dobrada, mas sim de um misto de saudade e tristeza.

Nós mudamos. E às vezes isso é tão imperceptível quanto um grão de areia sendo arrastado pelo vento, que muitas vezes só é notado quando incomoda os nossos olhos de alguma maneira. E tão semelhante as nossas mudanças internas, temos desespero em nos livrar logo daquilo.

Há cinco anos eu costumava ver o mundo de uma maneira mais utópica. Há dez, eu supervalorizava as minhas emoções e todas as dores, traumas e decepções eram maiores que eu. Há dois anos, eu resolvi abstrair todos os males e foi como deixar de existir por alguns dias. Há alguns meses, me perdi dentro de todas as perspectivas possíveis e existentes. Nada funcionou como eu queria, talvez tenha sido só como deveria ser.

Crescer é tão doloroso quanto ser ignorado na adolescência ou ser superestimado na juventude ou mesmo subestimado. É como ser levado diariamente a escola e encarar tudo como se fosse à primeira vez. Para crescer é preciso espernear, chorar, sentir falta de casa...

Porque crescer é valorizar melhor aquilo que se tem, é esquecer daquilo que costumava ser e que não lhe serve mais, é ser trancado diariamente entre muros e aprender a sair deles, esteja você inteiro ou não.

16.12.11

O dia em que a liberdade pegou carona com a saudade.



“É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê...”
Los Hermanos.


Não foram cinco meses ou cinco dias, foram cinco anos. Nesse intervalo de tempo você pode conhecer o amor da sua vida, namorar, casar e ter filhos. Em cinco anos você pode economizar e comprar uma casa ou um carro novo ou os dois, nunca se sabe. Em meia década você pode ter um filho que já saiba ler ou que converse com a televisão como adultos conversam entre si.
Em cinco anos você pode escolher um curso para se graduar, uma universidade onde deseje estudar e junto a esse seu pensamento simples e corriqueiro estar o pensamento de mais cinqüenta ou sessenta pessoas. Com as mesmas esperanças e objetivos semelhantes.
Não parece que foi ontem, parece que está sendo agora. Que acabou de acontecer ou irá ocorrer nos próximos instantes. É assim que eu me sinto ao olhar pra trás e ver essa jornada construída. Mesmo que eu ainda tenha basicamente as mesmas duvidas que de anos atrás.
O que eu vivi; com quem convivi, os fatos a serem lembrados com alegria ou tristeza, com saudade ou alivio não podem ser postos em um único texto. Eu não me atreveria. Eu não conseguiria. Seria inviável repetir os mesmos feitos, as mesmas piadas, os mesmos risos, os mesmos choros, as mesmas alegrias, tristezas, dores, lembranças, saudades...
Conviver cinco anos com as mesmas pessoas dividindo quase sempre os mesmos objetivos faz com que uma amizade se torne mais que isso. Faz com que os sonhos criem uma base forte para se desenvolverem, faz com que os desejos e as vontades sejam estruturais, faz com que eles se tornem realidade. Pode ser uma graduação em Arquitetura, em Psicologia ou em Direito. Nada muda o que foi construído perante os olhos cansados, mas impossíveis de parar.
Desde aprender o nome de todos aqueles que estão inseridos naquele lugar a não esquecer de lembrar de nenhum deles pelo resto da vida, é um longo caminho. Cheio de conflitos e pensamentos opostos. Cheios de idéias e motivações distintas. Mas ainda um caminho cheio de benevolência, sinceridade e companheirismo.
Engana-se quem acha que não existiram conflitos internos. Uma turma convivendo e se conhecendo diariamente está na iminência de explodir. Caso contrário, não seriamos o que somos, não seriamos nem sequer humanos. Todavia, uma turma que se entende e se respeita acima disso está sempre um passo a frente de digerir o conflito antes do extermínio. Se não há perfeição na solidão, não poderia existir perfeição em qualquer agrupamento.
Apesar da teimosia em reviver o passado, em repensar os erros ou o que poderia ter mudado com uma simples escolha diferente, me orgulho desse presente. Do tempo presente e até mesmo do próprio clichê.
Não sei o que sou agora e espero não saber até o último dos meus dias. Detestaria viver com limitações impostas pelo meu próprio eu. E é exatamente isso que desejo a todos vocês.
Alunos da Turma de 2007.1: Não percam a fé. Não se limitem, não se definam e continuem impossíveis de parar. 


15.12.11

Recomeçar




“Quando a melancolia é de menos, o fim do ano deve desconfiar”. Esse poderia ser facilmente um desses ditados que ajudam a justificar atos, momentos e escolhas, mas é apenas mais uma frase solta. Dezembro é um mês que promete felicidades, coisas novas, benevolência, mas que também traz consigo toda uma descarga de dores de todo um ano e lembranças a serem esquecidas. Um paradoxo que é a sina de todo fim. 

É metade de dezembro e eu ainda não consigo definir em qual dos extremos pretendo ficar. Pode ser muito cedo para escolher um lado, mas é tudo tão rápido que possa ser que fique tarde demais depois. Sobre o meio-termo eu não sei dizer. Não sei lidar com o morno, com o mais ou menos, com o talvez, mesmo que seja essa a freqüência que minha vida escolheu. Não sei fugir do radicalismo, apesar de sempre chafurdar na lama da aceitação. É assim quando se tem pouco mais de duas décadas e nenhuma independência aparente. Quando se tem sonhos e vontades frágeis demais, quando se está presa a vários tentáculos de uma mesma visão. Quando se acha que sabe de tudo, mesmo não sabendo metade do que deveria saber.

Dezembro é frágil e melancólico tal qual a vida insiste em ser.

2.12.11

"Despir uma peça e outra da ansiedade, deixar o tempo das coisas fluir em paz, afrouxar a ideia fixa um pouquinho, diminuir o volume da barulheira mental, mudar o destino do foco só pra variar, mesmo que nem dure muito, costuma criar um lugar de descanso aprazível e reparador na vida da gente.

Quando não há mais nada que possamos fazer para tentar modificar algumas circunstâncias, o que existe de mais confortável no mundo é a liberdade da entrega e a coragem da aceitação de que as coisas possam ser simplesmente como são."