23.2.16

Se preciso


Preciso voltar a me interessar pela vida.
Agora. Urgente.
Preciso voltar a acreditar que tudo tem um sentido e que faz sentido,
ainda que não faça nenhum.
Preciso voltar a entender que abrir os olhos pela manhã não é um ônus ou castigo, mas uma nova empreitada que nos ocorre ainda que não estejamos preparados.
Preciso perceber que nem tudo está ou é perdido.
Que as vezes é preciso desviar o foco, para encontrar o foco.
Mudar o que está aparentemente errado.
Surgir. Ressurgir.
Continuar.


Menina, você precisa voltar a ser.
Precisa ser.


21.2.16

As vezes eu abro a porta, sento na varanda e fico olhando pro nada.
É assim que eu me esvazio;
(ou tento).

18.2.16

Um passo.
Depois outro passo.
E mais um.



Quem sabe assim a vida entra nos trilhos.


17.2.14

Incapacidade


Eu nunca conseguirei desenvolver todas as ideias que me surgem de supetão quando me faltam caneta e papel a mão.

Dificilmente conseguirei vê todos os filmes que me indicam como indispensáveis, nem tampouco poderei saber da existência de músicas que mudariam as minhas perspectivas com relação a vida.

Não poderei saber sobre todas as séries geniais, divisoras de momentos e incrivelmente sensacionais.

Não terei tempo suficiente para ler todos os livros da minha lista, que por vezes se apresenta infinita aos meus olhos, ou poderei opinar criticamente sobre os artigos mais lidos da semana.

Também não conseguirei estudar o quanto deveria.

Não saberei como aprimorar o meu tempo, dormir menos, aproveitar mais.

Não aprenderei a como confortar pessoas em situações conflituosas ou mesmo a me confortar em dados momentos.

Muitas vezes olharei no espelho sem me reconhecer, a mim e aos que me cercam.

Não raramente continuarei vestindo o impossível de sonhos e acreditarei até que todas as minhas forças tenham esgotado.

Mas sei que frequentemente desistirei de tudo, que o medo irá me encontrar e que eu terei que inventar novas formas de caminhar, ainda que a vida me assuste acontecendo sem me pedir permissão, por mais que o tempo corra, sem esperar por ninguém.

Frente a todas essas incapacidades, temo que só me restará compreender que a vida simplesmente é.

6.8.13

Tudo e nada.


Quantos livros você leu no último ano? Quantas pessoas conheceu no mês que acaba de terminar? Quantas eram realmente interessantes? Que filmes andou assistindo? E as novelas, como estão? O tempo passa e tão depressa que só notamos quando o passado virou saudade. Não há mais tanto espaço para a satisfação, tudo são números e desembocam em estatísticas, ainda mais quando se tornam cifrões. A vida não tem mais espaço para o “quem sabe ser”, ou se é agora ou não importa mais.

É como está em uma roda gigante que trava no exato momento em que estamos no alto, nossos olhos sedentos por alguma vida querem se fechar, sentir o ar e respirar fundo, mas a nossa mente inquieta nota que o parque já está vazio, que é preciso dá um jeito e se livrar da situação com a maior rapidez possível e continuar, mesmo que seja complicado se desvencilhar da situação, ainda que se queira ficar ali por alguma razão e contemplar o momento. Não conseguimos ficar mais sozinhos.

Não há mais silêncio, o carro passa rápido e você não reconhece o motorista e enquanto você pensava na vida, o ônibus passou e você perdeu tempo, perdeu dinheiro, perdeu o emprego. Ainda há sabedoria? Quantas chamadas telefônicas podemos contabilizar em um mês? Quantas realmente quisemos atender? Você já experimentou deixar o telefone tocar? Quanto tempo demora um mês? Por quais becos escuros andará o nosso dom de escutar? Saímos por alguns instantes e todas as pessoas estão gritando suas razões e não há mais nada além de desabafos e desesperos.

Quais as suas preocupações? São suas ou lhe foram dadas? O que desejaria fazer agora se pudesse deixar de ser o que é e optasse pelo “quem sabe ser”? Pra onde iria? Como quem iria? Quem de fato realizou suas supostas escolhas? A vida? Você? A sorte?

Mais cedo ou mais tarde iremos nos abandonar e por algum motivo nos tornamos esse emaranhado de opiniões alheias que não conseguimos digerir, de histórias de outrem que não conseguimos abstrair, fadados eternamente a buscar a exatidão na subjetividade. Será que a vida irá parar e nos esperar em alguma esquina? Ainda que o tempo passe e nos restem memorias suficientes para tentar ser o que outrora queríamos, será que haverá a oportunidade?


Ser, ter, querer, continuar... Ar! Quantas vezes realmente respiramos hoje? Estamos vivendo a segunda-feira e de repente já é segunda-feira novamente. Há vazios enormes nas nossas semanas, nas nossas ruas, nas horas e em nos mesmos. O tempo passou; o futuro também. As minhas palavras já não estão aqui e você quem realmente foi amanhã?

25.5.13


Não há escrita quando se deixa de sentir.
A alma vazia deixa o corpo analfabeto de sentimentos. 
A empatia com as palavras some.
Não há coerência.
Os textos ficam tão inacabados quanto à vida que insistente, tenta chegar a um fim.
Chegar a um fim sem se dá um fim.
Há possibilidades?
Não há escrita quando se deixa de ser.
Mas o que eu sou, afinal?
Os gritos desesperados das palavras ou esse silêncio ensurdecedor?


26.3.13

Procurar e esperar




Quando eu era criança costumava andar olhando para o chão para regular melhor os meus passos e não tropeçar. Se era uma questão de segurança ou desconfiança, eu não sei dizer ao certo.

Depois que cresci frequentemente me pego caminhando e olhando para o céu, mas não sei bem a espera do quê. A vida, no fim, é um eterno paralelo entre procurar e esperar. Pelo menos pra mim.

Penso por fim, que talvez o problema dos meus "olhos" seja não saber olhar pra frente e por consequência se recusar a olhar pra trás com maestria. Dizem que nunca se está aberto o suficiente para o futuro com o passado atormentando o travesseiro. Mas quando as coisas realmente passam, afinal? Ou elas simplesmente se reconstroem em outras formas nesse ciclo diário e sem sentido?

O longe está perto demais e vice-versa. O espaço temporal passou, o ontem é agora e o amanhã foi anteontem. Não há nada claro o suficiente, nem no chão, nem no céu, nem à frente. Quem sabe o nosso mal seja considerar que somos e podemos tudo, quando na verdade nada somos e pouco sabemos. E o futuro? Quem sabe... 

O vão da esperança costuma colidir tanto com o das expectativas que o futuro não é mais que uma fria ilusão daquilo que queríamos que a vida fosse, quando na verdade, ela já sabe ser sozinha.


28.1.13

Outra vez




Me vi obrigada a refletir por alguns instantes em meio a esse tempo escasso no qual a minha vida se enfiou. Tempo-tão-escasso-esse que eu sequer consigo entender como o utilizei quando o dia finalmente acaba. Seriam dias logos e mal aproveitados ou simplesmente mal dormidos? Talvez o meu medo constante seja que essa escassez seja na verdade tempo perdido.

Crise! Ninguém precisaria me avisar que elas não acabariam após os 20, mas deveriam pelo menos terem me alertado o quanto elas podem se potencializar enquanto lutamos desesperadamente pelo sentido de tudo ou do pouco-que-seja. Quem sabe o meu problema seja essa busca infundada, essa insatisfação com o caminho escolhido, com as escolhas tomadas. Aos 23 anos ninguém deveria ter tempo para se arrepender, certo?

Não sei em qual minuto a minha vida se tornou tão obsoleta. Eu insisto, eu persisto, eu corro em direção a tudo e me sinto num imenso deserto onde todos os propósitos foram levados por uma ventania desconcertante destinada sempre a nos mudar a direção. E todo aquele amarelo se reproduz confundido a minha vista... e todo aquele silêncio se instala. Não há fim.

Talvez a minha pressa em entender tudo com rapidez, tenha me deixado cega. Talvez eu tenha me julgado esperta demais para um jogo onde se necessita mais alma que cérebro. E acabei subjugando os danos e os planos.

Há algum tempo eu deixei de esperar o máximo das coisas; isso é desgastante e entristecedor. Todo esse caos reiniciando insistentemente enquanto eu procuro um pouco de lucidez, me asfixia. E quando eu finalmente consigo me desvencilhar e respirar por alguns segundos, o tempo acaba e eu estou sendo levada pelo vento outra vez.

7.12.12

2012: o ano que parou os dias


Meus livros continuam inacabados e a quantidade de filmes que eu planejei vê durante esses 365 dias e 6 horas se acumularam significativamente. É como se um ano inteiro nunca tivesse existido. As coisas continuam exatamente onde sempre estiveram e as minhas emoções enfrentaram ciclos desconfortáveis e alternados que vão e voltam de forma deliberada. Se algo fez algum sentido em dado momento, eu não consigo me lembrar. O que é o tempo, afinal?
As minhas memórias enfrentam surtos de esquecimento, como se fossem arranhadas reiteradamente com o único propósito de me levar a loucura...  E o principal continua lá, tudo que merece ser esquecido persiste e vai sendo recobrado minuto a minuto para testar a minha capacidade de me manter sã. Eu peço ajuda, eu grito pelas ruas que já é tempo, mas nada acontece. A minha inquietação nata e sem pretensões muito claras levou a minha voz e as minhas explicações, além de por todos os dias os meus sentidos a prova. Qual a data da hora da semana?
Minha mente se confunde nesse turbilhão de coisas que nunca aconteceram e confronta os vãos lineares do nada. Qual a saída desse cômodo de paredes brancas ao qual me prendi? Todas as portas que se abrem desembocam no mesmo lugar, que povoado pela mesmice que infesta às relações humanas cada vez mais vazias não me satisfaz de nenhuma forma.
Veja bem, tudo está mais denso agora que a minha vista turva dificulta os meus passos. No entanto, a minha maior dúvida ainda é tentar lembrar se em algum momento ela já se fez clara o suficiente...